Rochas que pareciam guardar uma história de mais de 2 bilhões de anos estavam contando o tempo errado. Uma nova datação do minério de ferro da Província de Hamersley, na Austrália Ocidental, mostrou que os grandes depósitos preservados são bem mais jovens. A descoberta muda a ligação entre essas reservas, os movimentos da crosta e a formação de antigos supercontinentes.
O que os cientistas descobriram no minério de ferro?
Os maiores depósitos preservados de hematita de Hamersley se formaram entre 1,4 e 1,1 bilhão de anos atrás. Antes, a idade mais usada ficava entre 2,2 e 2 bilhões de anos.
O estudo publicado na PNAS não anunciou uma nova mina. Ele mudou a data dos corpos de minério já conhecidos e separou 2 acontecimentos: uma fase antiga, em grande parte apagada pela erosão, e a formação posterior dos depósitos gigantes que existem hoje.

Como foi possível calcular a nova idade dos depósitos?
A equipe mediu urânio e chumbo diretamente dentro dos grãos de óxido de ferro. Esse método usa a mudança lenta do urânio em chumbo como um relógio natural.
A Universidade Curtin explica que os pesquisadores aplicaram a técnica aos principais depósitos de Hamersley:
Como rochas com cerca de 30% de ferro passaram de 60%?
As camadas antigas ficaram mais ricas em ferro quando perderam parte da sílica e de outros materiais. Com menos impurezas, a proporção de hematita aumentou e a rocha virou minério de alto teor.
Segundo a Universidade da Austrália Ocidental, a nova idade coincide com grandes mudanças tectônicas. O estudo relaciona esse período à união da Austrália depois da ruptura do supercontinente Columbia.
O processo pode variar entre os depósitos, mas envolve etapas como:
- Camadas no fundo do mar: ferro e sílica se acumularam em faixas alternadas.
- Movimento da crosta: pressão, calor e fraturas mudaram as rochas antigas.
- Circulação de líquidos: fluidos atravessaram as camadas e retiraram parte das impurezas.
- Concentração do ferro: a hematita passou a ocupar uma parte muito maior da rocha.

O que muda na linha do tempo geológica da Terra?
A mudança separa a primeira formação de minério dos grandes depósitos que sobreviveram até hoje. O evento antigo existiu, mas não explica sozinho os corpos gigantes preservados em Hamersley.
O registro científico da pesquisa organiza essa nova linha do tempo:
Por que a nova idade pode ajudar na busca por minério?
A nova idade cria outra pista para procurar depósitos em regiões que passaram por mudanças tectônicas parecidas. Geólogos podem cruzar a idade da hematita com áreas marcadas pela união e pela ruptura de antigos continentes.
A Geoscience Australia informa que quase 80% dos recursos identificados de minério de ferro do país ficam na Província de Hamersley. Por isso, compreender quando esses corpos se formaram pode tornar a exploração futura mais precisa.
A descoberta não muda a idade das rochas originais. Ela muda o momento em que elas viraram depósitos gigantes de minério.

