Ancestrais humanos comiam adultos e crianças há 850 mil anos, revelam fósseis de caverna - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Arqueologia 29/07/2026 11:54

Ancestrais humanos comiam adultos e crianças há 850 mil anos, revelam fósseis de caverna

Ancestrais humanos comiam adultos e crianças há 850 mil anos, revelam fósseis de caverna

No norte da Espanha, uma caverna revelou novas informações sobre um hábito incomum de um antigo parente dos humanos, que viveu há 850 mil anos.

O local guarda restos mortais da espécie Homo antecessor descobertos na caverna Gran Dolina, sendo que vários dos ossos apresentavam marcas claras de cortes feitos por ferramentas de pedras.

Os sinais sugerem o comportamento de canibalismo entre grupos que viveram na região.

Muitos ossos pertenciam não a crianças, mas a adultos, o que confere uma nova dimensão no modo como essa prática era realizada na Europa milhares de anos atrás.

O estudo é assinado por pesquisadores do Instituto Catalão de Paleoecologia Humana e Evolução Social (IPHES), e ajuda a recriar aspectos como a anatomia, cultura e modo de sobrevivência de uma das espécies ancestrais mais desconhecidas do Pleistoceno.

Muitos dos ossos pertenciam a indivíduos adultos, o que atualiza a coleção de restos mortais da espécie e amplia registros de outras faixas etárias além de crianças e jovens — Foto: Maria D. Guillén/IPHES-CERCA
Muitos dos ossos pertenciam a indivíduos adultos, o que atualiza a coleção de restos mortais da espécie e amplia registros de outras faixas etárias além de crianças e jovens — Foto: Maria D. Guillén/IPHES-CERCA

“Juntamente com os restos humanos, a campanha recuperou uma vasta coleção de ferramentas de pedra feitas de sílex, quartzito, arenito e quartzo, bem como numerosos restos de fauna correspondentes a hienas, castores, veados, bovinos, cavalos e rinocerontes”, descreve o comunicado.

A riqueza da região onde fica Gran Dolina não se trata de uma novidade para arqueólogos e paleontólogos, já que foi lá, há cerca de 30 anos atrás, em que os primeiros restos de Homo antecessor foram descobertos.

Novos ossos, novas descobertas

Ao todo, a campanha de escavação realizada em 2026 recuperou, pelo menos, 24 novos fósseis humanos associados ao Homo antecessor, sendo que seis deles são adultos, uma faixa etária que ainda estava sub-representada nas coleções. Entre os achados estão fragmentos de ossos de crânio, vértebras, falanges, tíbias, fêmures e dentes.

“Até agora, tínhamos principalmente restos de bebês e jovens, o que condicionava a interpretação do conjunto. O aparecimento de mais indivíduos adultos, alguns dos quais também apresentam marcas de corte, permite demonstrar que o canibalismo não afetava exclusivamente os mais jovens”, diz Palmira Saladié, pesquisadora do IPHES-CERCA, em comunicado.

A foto acima mostra a primeira falange de um polegar de Homo antecessor preservada após mais de 850 mil anos — Foto: Maria D. Guillén/IPHES-CERCA
A foto acima mostra a primeira falange de um polegar de Homo antecessor preservada após mais de 850 mil anos — Foto: Maria D. Guillén/IPHES-CERCA

Ela afirma que, além do ponto de vista demográfico, os novos restos mortais trazem novas informações sobre as práticas de canibalismo do grupo, já bem documentadas em indivíduos mais jovens das populações.

Supõe-se que o canibalismo deveria ocorrer por razões nutricionais, de forma que crianças e jovens de uma tribo rival seriam alvos mais fáceis.

Porém, com evidências de que adultos também serviam como alimento traz uma nova camada de profundidade para as práticas de sobrevivência do Homo antecessor.

Estudos futuros pretendem entender se havia diferenças de tratamento entre as faixas etárias dentro da espécie e investigar mais sobre a organização desses grupos ancestrais que passaram por Gran Dolina.

Deu em Galileu

Ricardo Rosado de Holanda
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