Ouro é descoberto embaixo do altar de igreja e impede o seu fechamento - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Arqueologia 16/07/2026 18:34

Ouro é descoberto embaixo do altar de igreja e impede o seu fechamento

Ouro é descoberto embaixo do altar de igreja e impede o seu fechamento

O espaço vinha enfrentando problemas financeiros graves, já que a pequena congregação, formada por apenas cinco fiéis, não conseguia arrecadar o valor de £750 mil (aproximadamente R$ 5 milhões) necessário para conduzir algumas reformas urgentes no edifício.

Entre elas, a troca completa do telhado e a manutenção de seus vitrais históricos.

Diante da impossibilidade de custear os reparos, o processo de encerramento das atividades religiosas no local já havia sido iniciado. Foi nesse cenário que a reverenda Jane Lee e um paroquiano fizeram a descoberta, momentos antes de um dos últimos cultos programados para o templo.

Caixa escondida há quatro anos

O achado aconteceu quando a dupla retirava a parte frontal do altar para a preparação da cerimônia.

Debaixo do genuflexório (o banco estofado usado pelos fiéis para se ajoelhar durante as orações) havia um saco plástico com uma caixa em seu interior. Dentro dela estavam nove moedas de ouro do tipo Britannia, cunhadas em 1999 pela Casa da Moeda Real britânica e com valor de face de £100 (R$ 680) cada uma.

Ao analisar a caixa, eles também notaram um bilhete escrito em papel timbrado do Exército da Salvação, datado de 16 de julho de 2022, que dizia: “Olá, gostaria de doar estas nove moedas Britannia de ouro para a igreja de Melling”. O texto era assinado por alguém que se nomeava como “James, servo do Deus vivo”.

“Ficamos ambos absolutamente estupefatos. Não conseguíamos sequer acreditar”, relata Lee, em entrevista ao jornal The Times. “Ambos caímos em lágrimas. Foi como vivenciar um verdadeiro milagre.”

Embora o valor recebido pela venda das moedas ainda esteja longe de cobrir o custo total da reforma, os responsáveis pelo templo defendem que ele funciona como um ponto de partida decisivo. A ideia agora é que novas campanhas de arrecadação sejam conduzidas.

A repercussão do caso, inclusive, já surtiu efeito prático. Um grupo de moradores criou uma associação de preservação do patrimônio dedicada a levantar recursos para a restauração do templo.

Para Lee, o ganho mais importante não é apenas financeiro, mas simbólico. “Agora não é apenas a pequena congregação lutando pela igreja. Temos uma comunidade maior nos apoiando e disposta a ajudar”, destaca ela.

A identidade do doador segue sendo um mistério. De acordo com um representante da diocese local ouvido pelo The Times, outras três igrejas e uma escola da região norte da Diocese de Blackburn relataram ter recebido doações de moedas de ouro de forma semelhante em 2022 — uma delas depositada em uma caixa de esmolas em uma igreja na cidade vizinha de Hornby, e outra deixada atrás da porta de um templo em Quernmore.

Até o momento, nenhuma tentativa de identificar o benfeitor teve sucesso. Também ao The Times, Gordon Park, paroquiano responsável por cuidar do relógio, dos sinos e do jardim da igreja, contou que ninguém na comunidade conseguiu associar o nome “James” a algum antigo frequentador do templo.

Segundo a reverenda, o fato de o esconderijo ter passado despercebido por quatro anos provavelmente se deve a uma faxina incompleta do espaço. Isso porque a limpeza geralmente era feita ao redor do genuflexório, sem que o móvel fosse movido de lugar ou levantado.

Patrimônio histórico à beira do colapso

A igreja de St. Wilfrid é classificada como Patrimônio Histórico de Grau I, a categoria mais alta do sistema britânico de proteção a edificações, reservada a imóveis de “interesse excepcional”.

O terreno onde o templo está erguido provavelmente já abrigava uma construção religiosa antes mesmo da conquista normanda de 1066, e a estrutura atual, dedicada a um monge do século 7, foi erguida por volta de 1300, durante o reinado do rei Eduardo 1º.

O edifício guarda ainda outras curiosidades históricas, uma vez que abriga um relógio fabricado por Edward Dent, o mesmo relojoeiro responsável pelo mecanismo do relógio do Parlamento britânico, hoje popularmente conhecido como “Big Ben”, e é o local de sepultamento de Ann Fenwick, figura que lutou pela emancipação dos católicos na Grã-Bretanha no século 18.

Mesmo com sua relevância histórica, a manutenção do prédio se tornara insustentável para a pequena congregação local.

Quando assumiu a paróquia, há quatro anos e meio, Lee foi informada de que o telhado exigiria cerca de £100 mil (R$ 680 mil) em reparos; um orçamento mais detalhado elevou essa cifra para aproximadamente £450 mil (R$ 3 milhões), que, somado aos vitrais, resultou nos £750 mil (R$ 5 milhões) que a comunidade não conseguiu levantar.

A situação era tão delicada que a igreja sequer conseguia pagar sua contribuição financeira anual de £7 mil (R$ 47,5 mil) à diocese, precisando de uma autorização especial para suspender o repasse.

Deu em Galileu
Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista

🔝 Top 10 mais lidas do mês