Ministro André Mendonça defende autocontenção do Judiciário e condena ativismo judicial no STF - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Constituição 07/06/2026 09:25

Ministro André Mendonça defende autocontenção do Judiciário e condena ativismo judicial no STF

Ministro André Mendonça defende autocontenção do Judiciário e condena ativismo judicial no STF

Em evento em Curitiba, magistrado afirmou que tribunais não devem assumir papel criativo sobre a legislação e precisam respeitar decisões do Legislativo

Durante participação no XVI Simpósio de Direito Constitucional, realizado em Curitiba nesta sexta-feira, 5, o ministro , do  Tribunal Federal (STF), fez uma defesa enfática da autocontenção do Poder Judiciário. Na avaliação do magistrado, os tribunais têm a obrigação de respeitar o que é produzido pelo Poder Legislativo, sem extrapolar os limites da interpretação legal.

Tensão entre os Poderes e o princípio da legalidade

Um dos eixos centrais da fala de Mendonça foi a necessidade de fortalecer o  como caminho para aliviar o atrito institucional. Segundo ele, o cenário atual evidencia um desequilíbrio que precisa ser corrigido.

“Hoje eu entendo que há uma situação de tensão na relação entre os Poderes e isso passa, volto a dizer, pelo fortalecimento do princípio da legalidade”, afirmou o ministro.

Judiciário não pode inovar na legislação, diz Mendonça

O magistrado foi direto ao apontar que a função do Judiciário se encerra na interpretação das normas, sem margem para criação legislativa. Na visão dele, esse é o principal foco de conflito entre as instituições.

“A lei tem como sua origem o Poder Legislativo. Não cabe ao Poder Judiciário, além da interpretação, ter um papel criativo ou inovador em torno da . Esse talvez seja hoje o grande ponto de tensão entre os Poderes: o respeito, por parte do Judiciário, àquilo que é promulgado ou legislado a partir de uma decisão no âmbito do Legislativo.”

Crítica ao ativismo judicial: ideal de Justiça não pode ser circunstancial

André Mendonça aproveitou a palestra para questionar aqueles que defendem o ativismo judicial. O ministro propôs uma provocação: se a composição da Corte mudasse para uma maioria de perfil conservador, os mesmos defensores continuariam apoiando essa postura?

“Eu sou crítico a isso. E pergunto a esses que defendem o ativismo se são realmente favoráveis. Alguns dizem sim. Mas daí volto a questionar: e se em 10 anos mudar a composição do STF e houver uma maioria considerada conservadora? Você continua a favor do ativismo judicial? Essas pessoas respondem não. Ou seja, o ideal de  não pode ser circunstancial.”

Ricardo Rosado de Holanda
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