A grande repercussão política, nas redes sociais, das declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), dadas na quarta-feira, em entrevista à rádio TMC, que comparam o Pix com o sistema de pagamentos americano Zelle, chamou a atenção para como o movimento global de digitalização das transações poderá reconfigurar esse segmento de mercado dos serviços financeiros.
No início da semana, a divulgação do relatório de conclusão da investigação administrativa sobre as práticas comerciais do Brasil pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que propôs sobretaxa de 25%, já tinha jogado o tema nos holofotes.
Especialistas viram no caso uma adesão do governo de Donald Trump ao lobby das operadoras de cartão, que perdem com a digitalização de transações financeiras.
Embora Eduardo Bolsonaro tenha comparado o Zelle com o Pix, há uma série de diferenças entre eles. O primeiro é uma plataforma privada — controlada por uma empresa pertencente a alguns dos maiores bancos americanos. O Pix é uma infraestrutura pública, criada pelo Banco Central (BC), à qual as instituições privadas se conectam. Tem como vantagens a rapidez e a facilidade nas transações, gratuitas para pessoas físicas, e é um sucesso entre consumidores.
O Zelle disputa mercado com outras plataformas privadas, como Cash App, da Block, empresa do cofundador do antigo Twitter Jack Dorsey, e pela Venmo, da PayPal.

