Pesquisa inédita elimina cromossomo extra da Síndrome de Down em células humanas em laboratório - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Ciência 03/06/2026 11:28

Pesquisa inédita elimina cromossomo extra da Síndrome de Down em células humanas em laboratório

Pesquisa inédita elimina cromossomo extra da Síndrome de Down em células humanas em laboratório

Equipe japonesa utilizou edição genética CRISPR-Cas9 para remover a trissomia do 21 em células cultivadas in vitro, abrindo caminho para novas investigações.

Pela primeira vez na história da ciência, pesquisadores conseguiram eliminar o cromossomo extra associado à Síndrome de Down em células humanas mantidas em ambiente de laboratório. O feito, conduzido por  japoneses, foi publicado na revista científica PNAS Nexus e é considerado um marco para a pesquisa genética mundial.

Como funciona a trissomia do 21

Síndrome de Down está associada a uma alteração genética conhecida como . Em condições normais, cada pessoa possui duas cópias do , uma herdada de cada progenitor. Quando ocorre a presença de uma terceira cópia, desenvolve-se a condição. Estima-se que aproximadamente um a cada 700 nascimentos apresente essa alteração.

Quem conduziu a pesquisa e qual técnica foi utilizada

O estudo foi liderado pelo pesquisador Ryotaro Hashizume, com a participação de especialistas da Universidade de Mie e da Universidade de  de Fujita, ambas no Japão. A equipe recorreu à tecnologia de edição genética CRISPR-Cas9 para remover a cópia adicional do cromossomo 21.

O trabalho envolveu dois tipos de material biológico: células derivadas de fibroblastos da pele e células-tronco pluripotentes. As amostras foram modificadas geneticamente para que cada célula permanecesse com apenas duas cópias do cromossomo 21, eliminando a terceira cópia responsável pela trissomia.

Resultados observados no laboratório

Após a remoção do cromossomo extra, os pesquisadores constataram que os padrões de expressão genética das células tratadas se aproximaram daqueles verificados em células sem a trissomia. Trata-se de um indicativo de que a correção pode restaurar aspectos do funcionamento celular normal.

É fundamental destacar, porém, que todos os resultados foram obtidos exclusivamente em ambiente laboratorial. A técnica não foi testada em seres humanos nem em organismos vivos, o que mantém a  distante de qualquer aplicação clínica imediata.

Desafios e limitações para o futuro

A própria equipe de cientistas faz questão de ressaltar os obstáculos que ainda precisam ser superados. Entre os principais desafios estão:

  • Garantir a segurança da edição genética em cenários mais complexos;
  • Compreender os possíveis efeitos colaterais da remoção do cromossomo em diferentes tipos celulares;
  • Realizar testes que permitam avaliar a viabilidade da técnica fora do laboratório.

Próximos passos: testes em células nervosas

As etapas seguintes da pesquisa devem se concentrar na aplicação da estratégia em neurônios e células gliais, que são componentes essenciais do sistema nervoso. O objetivo é verificar se a correção genética pode influenciar processos biológicos diretamente associados à Síndrome de Down.

Contribuição para a ciência e perspectivas

Mesmo reconhecendo as incertezas, os autores do estudo avaliam que a pesquisa representa um avanço histórico na compreensão da trissomia do 21. O trabalho amplia o entendimento sobre os mecanismos celulares da Síndrome de Down e pode servir de base sólida para futuras investigações e, eventualmente, para o desenvolvimento de tratamentos.

A descoberta abre novas possibilidades para a genética e reforça o papel da tecnologia CRISPR-Cas9 como ferramenta transformadora na medicina do futuro.

Deu em ContraFatos
Ricardo Rosado de Holanda
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