Crime organizado 28/05/2026 09:22
Nova fase da Operação Carbono Oculto mira empresários, PCC e laranjas

Nova fase da Operação Carbono Oculto colocou na mira empresários e operadores suspeitos de manter esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC dentro do mercado de combustíveis.
A ação, realizada nesta quinta-feira (28/5) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Receita Federal, cumpre 55 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná.
Segundo os investigadores, o grupo continuou movimentando milhões mesmo após operações anteriores. A suspeita é de que a organização tenha criado rede paralela de empresas e contas digitais para esconder recursos provenientes de adulteração de combustíveis, fraudes tributárias e outras atividades criminosas.
As apurações apontam que postos de combustíveis passaram a operar de forma integrada, concentrando movimentações financeiras em poucas contas para dificultar o rastreamento do dinheiro. Em um dos casos analisados, dezenas de postos teriam sido vinculados à mesma estrutura financeira.
O Ministério Público suspeita que a estrutura criminosa atuava de forma altamente profissionalizada, utilizando laranjas, operadores financeiros e alterações societárias frequentes para ocultar patrimônio e blindar os verdadeiros responsáveis pelas transações.
Nesta nova etapa da Carbono Oculto, o Gaeco afirma ter identificado pelo menos seis fintechs utilizadas como uma espécie de “banco paralelo” da organização criminosa. Segundo os investigadores, essas plataformas eram usadas para realizar compensações financeiras entre distribuidoras, postos de combustíveis, empresas ligadas ao esquema e fundos de investimento controlados pelo grupo.
Outra frente da operação mira núcleo suspeito de desviar nafta petroquímica, solvente derivado do petróleo, para adulteração de combustíveis na Grande São Paulo. A investigação aponta que empresas de fachada eram abertas em diversos estados para simular compras regulares de solventes, que acabariam abastecendo o mercado clandestino.
De acordo com o Ministério Público, a estrutura utilizava parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos como laranjas para registrar empresas e dificultar a identificação dos verdadeiros donos dos negócios.
Os investigadores também identificaram a utilização de fundos de investimento como mecanismo para ocultar patrimônio e disfarçar os reais beneficiários das movimentações financeiras. Quatro fundos analisados na apuração possuem patrimônio estimado em cerca de R$ 205 milhões. Segundo o Gaeco, o volume cresceu mais de 200% em pouco mais de um ano.
Para o MP, a operação busca atingir não apenas os operadores diretos do esquema, mas também o sistema financeiro clandestino que sustentaria as atividades do crime organizado dentro do setor de combustíveis.
Entre os investigados apontados como líderes da estrutura, estão Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”.
Deu em Metrópoles

Descrição Jornalista
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