FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Corrupção 03/04/2026 08:12

Toffoli e Moraes: voos em jato de Vorcaro são carona ao escândalo

Toffoli e Moraes: voos em jato de Vorcaro são carona ao escândalo

O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e a mulher dele, a advogada Viviane Barci, viajaram ao menos oito vezes, entre maio e outubro de 2025, em jatos executivos do empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Foi o que revelou a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, com base em informações da Agência Nacional de Aviação Civil, do Departamento de Controle do Espaço Aéreo e do Registro Aeronáutico Brasileiro.

A maioria dos voos (sete) ocorreu em aeronaves da Prime Aviation, uma empresa de compartilhamento de bens de luxo. Vorcaro era sócio dessa companhia por meio de um fundo.

Este seria um detalhe se Viviane Barci de Moraes não atuasse em um escritório contratado para representar os interesses do Banco Master nas instâncias regulatórias de Brasília por um valor estimado de R$ 3,6 milhões ao mês. Uma bolada.

Barci de Moraes, por meio de seu escritório, negou qualquer dilema aéreo. Disse contratar “diversos serviços de taxi aéreo, e que entre os que já foram em algum momento contratados está o da empresa Prime Aviation”.

O fate de a empresa contratada ser ligada a outra empresa contratante só facilitava as coisas, já que “todos os valores eram pagos compensando os honorários advocatícios nos termos contratuais”. Tipo uma troca? Hum.

Moraes não deve ter combinado a versão em casa, já que a resposta de seu gabinete para o mesmo questionamento que ele “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro”.

Dois dias depois da notícia, a mesma Folha revelou que Dias Toffoli, colega de Moraes no Supremo, voou, em 4 de julho de 2025, em um avião da mesma empresa. O jornal tem até a data e a hora em que ele entrou no terminal executivo do aeroporto de Brasília: 10h do dia 4 de julho de 2025.

Ele voou até Marilia (SP), onde nasceu e, de lá, seguiu para Ribeirão Claro (PR), município onde fica o resort Tayayá.

O problema, ali, não era o fim, mas o meio. No caso, o destino, e não o transporte.

Toffoli era sócio do Tayayá até o ano passado. O cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro,  Fabiano Zettel, também. Ambos tinham cotas no resort – Toffoli, por meio da Maridt Participações, e Zettel, pelo fundo Arleen.

Mesmo assim Toffoli, como relator do caso Master no Supremo, tomou uma série de decisões de interesses dos sócios até ser enquadrado e obrigado e se declarar impedido de julgar o caso.

Toffoli precisa agora explicar se o voo foi ou não uma carona. E Moraes precisa combinar uma versão melhor em casa.

Caso contrário, não adianta fazer bico para o presidente do STF, Edson Fachin, quando ele propuser um manual de conduta para ministros evitarem turbulências aéreas (para não dizer outra coisa) do tipo.

Tivesse a Corte uma norma coibindo esse tipo de aproximação fora do expediente, não haveria tanta gente desconfiada sobre as preferências dos dois clientes supremos de uma companhia ligada ao submundo do sistema financeiro.

Matheus Pichonelli/Portal IG

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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