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Artes 01/03/2026 07:43

Mostra homenageia Assis Marinho e reforça política cultural do Governo do Estado

Mostra homenageia Assis Marinho e reforça política cultural do Governo do Estado

A exposição Hoje Tem Espetáculo – O Universo Poético de Assis Marinho, aberta neste sábado (28), na Pinacoteca Potiguar, marca um dos principais acontecimentos das artes visuais do Rio Grande do Norte em 2026.

A mostra homenageia o artista, reconhecido como um dos mais expressivos nomes da pintura potiguar, celebrando sua trajetória e a força simbólica da cultura nordestina que atravessa sua obra.

Com apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cultura e da Fundação José Augusto, a exposição permanece aberta gratuitamente ao público até o dia 29 de março. A abertura reuniu artistas, produtores culturais, autoridades e apreciadores das artes.

Identidade sertaneja

Presente ao evento, a governadora Fátima Bezerra destacou a identidade sertaneja que aproxima sua história da trajetória do artista.

“Assis traduz o sertão, a fé, o rural e o urbano. Sua obra percorre da paisagem interiorana ao mar de Natal com sensibilidade e encantamento. Em nome do povo do Rio Grande do Norte, deixo minha gratidão por sua trajetória e por sua contribuição à nossa cultura. Assis, assim como eu, é emigrante. Saiu da Paraíba e encontrou no Rio Grande do Norte um lugar para fincar raízes e construir sua história. Essa travessia, marcada por desafios e superações, está presente em sua obra e dialoga com a trajetória de tantos nordestinos que transformam dificuldade em força criativa”, afirmou.

A governadora também ressaltou o investimento do Governo do Estado na reabertura e manutenção de sete equipamentos culturais.

Movido pela emoção, o pintor agradeceu o tributo: “Essa exposição é resultado de uma caminhada construída com muitas pessoas que fazem parte da minha trajetória. Enfrentei dificuldades, mas cada luta trouxe aprendizado e crescimento. Sou apenas um artista, mas acredito na força da cultura e na importância de levá-la a todos os cantos do Rio Grande do Norte. Temos muitos talentos e precisamos valorizar cada vez mais nossas Casas de Cultura e nossos artistas. Só tenho gratidão a todos que caminharam comigo até aqui”.

A exposição tem curadoria de Manoel Onofre Neto, expografia e identidade visual do Estúdio Barros, com obras reunidas a partir de coleções particulares. “Assis é um artista de grande reconhecimento popular, dono de trajetória marcada por resistência e singularidade estética”, afirmou o curador. Para o marchand Antônio Marques, “ele é expressão autêntica do povo potiguar, um artista que se reinventa diante das dificuldades e permanece como exemplo de vida e de arte”.

Um espetáculo em seis atos

Concebida como uma montagem sob a lona simbólica de um picadeiro, a mostra organiza-se em seis núcleos que entrelaçam vida e obra.

O percurso começa com O Quixote Sertanejo – O Artista e seus Espelhos, evocando a figura do idealista que enfrenta adversidades. Em Ciranda dos Sonhos – Infância e Imaginação, a infância surge como território de abrigo e fantasia.

Arena do Sertão – Memória, Festa e Resistência apresenta os contrastes do sertão, da seca às celebrações populares. Em Procissão da Poesia – O Sagrado em Cena, a espiritualidade se aproxima do cotidiano.

A chegada a Natal inspira Entre Marés – Desfrute à Beira-mar, com jangadas, pescadores e a emblemática Santa Ceia dos Pescadores. O percurso se encerra com Em Torno do Beco – Boêmia e Resistência, mergulho no universo do Beco da Lama, em diálogo com esculturas do mestre seridoense Ivan do Maxixe.

Sobre o artista

Francisco de Assis Marinho de Farias desenvolveu uma obra de forte matriz regional e caráter expressionista. Retirantes, sertanejos e pescadores compõem um acervo estimado entre 35 e 40 mil trabalhos, revelando intensidade criativa e compromisso com a identidade cultural potiguar.

Nascido em 4 de fevereiro de 1960, em Cubati (PB), migrou ainda criança para São João do Sabugi, no Seridó potiguar. Jovem, fixou-se em Natal, onde manteve ateliê no bairro de Mãe Luiza. Em suas telas, retrata também personagens do cotidiano, figuras do sagrado — como São Francisco e Jesus Cristo — e referências universais, como Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, metáfora recorrente de sua própria travessia.

Autodidata, Assis Marinho construiu uma linguagem própria, sendo associado pela crítica a nomes como Thomé Filgueira e Newton Navarro. Seu domínio do giz de cera, explorado com vigor expressionista, resultou em vasta produção, com obras presentes em galerias e acervos públicos e privados no Brasil e no exterior.

Participaram da abertura a secretária de Cultura, Mary Land Brito; o secretário da Fazenda, Cadu Xavier; a secretária de Ação Social, Íris Oliveira; o diretor-geral da Fundação José Augusto, Gilson Matias; o deputado federal Fernando Mineiro; e a deputada estadual Divaneide Basílio.

Fonte e foto: Assessoria

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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