Artigo 14/01/2026 10:42
O contrato da mulher de Moraes com o Master continua sem explicação

Alexandre de Moraes acha que não tem de dar nenhuma explicação sobre o contrato multimilionário firmado pelo escritório da sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master, desse extraordinário Daniel Vorcaro. Contrato curioso, no mínimo, porque ela ganhou uma bolada sem ter de fazer praticamente nada pelo banco.
A preocupação do ministro seria descobrir quem vazou a informação para a imprensa, de acordo com a jornalista Hadass Leventhal.
“O ministro do STF Alexandre de Moraes cogita abrir um inquérito para investigar uma possível quebra de sigilo fiscal de ministros da Corte protagonizada pela Receita Federal e pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras)”, publicou ela.
“No caso de Alexandre de Moraes, houve a divulgação do contrato de sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master, no valor total de R$ 131,3 milhões em 3 anos. O contrato em si não contém dados sigilosos, mas houve também divulgação de detalhes do funcionamento financeiro do escritório de Viviane que podem ter sido extraídos do Coaf ou da Receita Federal”, escreveu Leventhal.
“No caso do ministro Dias Toffoli, há informações sobre negócios de sua família que também revelam operações financeiras só acessíveis pelo Coaf ou pela Receita Federal”, acrescentou a jornalista.
Ao ler a notícia, pensei com os meus botões como o ideal seria que, diante de situações mal explicadas, ministros do STF abrissem os seus sigilos para dirimir suspeitas certamente infundadas. Mas os meus botões disseram que, aí, o país seria outro. Fui obrigado a oncordar.
O que ocorre é o contrário: quanto mais sigilo, melhor na visão deles.
Veja-se a história das pressões que Moraes teria feito sobre o Banco Central em favor do Master, negadas pelo ministro em uma série de notas divulgadas em dezembro.
O jornalista André Shalders informou que o Banco Central pôs em sigilo todas as comunicações com Moraes sobre a liquidação do Master. Tais comunicações foram pedidas pelo meu colega de Metrópoles por meio da Lei de Acesso à Informação.
“O Banco Central negou o acesso total aos registros, alegando a proteção de dados patrimoniais e informações pessoais. Ao fazê-lo, o Banco Central colocou sob sigilo informações básicas, como trocas de mensagens, datas e registros de reuniões. Em geral, a prática dos órgãos públicos é tarjar as informações sensíveis ou protegidas por lei, que possam expor dados pessoais. O restante é fornecido”, explicou Shalders.
Ora, se é mentira que Moraes tenha exercido pressão em favor do banco que tem um contrato multimilionário com a sua mulher, não seria o caso de revelar tudo? Afinal de contas, o melhor detergente é a luz do sol. Fiz essa pergunta aos meus botões, e foram eles a concordar comigo dessa vez.
Deu em Metrópoles/Mario Sabino

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