Corrupção 08/10/2025 11:47
Ex-procurador do INSS ostenta fortuna de R$ 18 milhões em meio a fraude com aposentados

Movimentações financeiras expressivas envolvendo o ex-procurador-geral do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Virgílio Filho, e sua esposa, Thaisa Hoffmann, foram destacadas em documentos enviados à CPMI do INSS no Congresso Nacional.
Durante o período em que Virgílio atuava para viabilizar descontos em benefícios de aposentados vinculados à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Thaisa comprou um SUV Porsche Cayenne híbrido no valor de R$ 787.312. A compra foi feita por meio da empresa dela, a THJ Consultoria, em Curitiba, no dia 20 de agosto de 2024.
Entre os anos de 2022 e 2024, Thaisa efetuou, com pagamento à vista, a aquisição de três imóveis que somam R$ 3,47 milhões. Entre os bens adquiridos, está um apartamento de R$ 2,5 milhões localizado no bairro Campo Comprido, na capital do Paraná.
Além deste, consta também a compra de uma sala comercial na mesma cidade e de um apartamento às margens do Lago Paranoá, em Brasília.
Apesar de ser alvo da Operação Sem Desconto, relatórios de inteligência financeira indicam que Virgílio Filho manteve movimentações suspeitas. Em 28 de maio deste ano, foi registrada a intenção de adquirir um Audi A5 Sedan Performance S Edition, avaliado em cerca de R$ 380 mil.
Já em 2025, ele concluiu a compra de uma Mercedes-Benz GLB 35 AMG, cujo valor de mercado, conforme a Tabela Fipe, gira em torno de R$ 508,5 mil.
As investigações apontam que Virgílio Filho recebeu pelo menos R$ 11,9 milhões de empresas envolvidas no esquema conhecido como “Farra do INSS”, que consistia na realização de descontos indevidos em aposentadorias.
Do total, aproximadamente R$ 7,5 milhões foram destinados a Thaisa Hoffmann por meio do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”.
Servidor de carreira da Advocacia-Geral da União (AGU), Virgílio Filho ocupou o cargo de procurador-geral do INSS de 16 de abril de 2020 até 1º de junho de 2022. Retornou ao cargo entre 29 de setembro de 2023 e 23 de abril de 2025, quando foi afastado judicialmente. Após o afastamento, a AGU oficializou sua exoneração.
Segundo um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), o patrimônio de Virgílio Filho teve um crescimento de R$ 18,3 milhões durante o período sob investigação. Parte desse valor estaria ligada a pagamentos oriundos de pessoas também investigadas.
A CGU concluiu que o ex-procurador pode ter favorecido a Contag ao validar, de forma irregular, o desbloqueio em massa de benefícios previdenciários, permitindo a aplicação de descontos associativos em desacordo com as normas e orientações técnicas do INSS.
Deu em ContraFatos

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