Saúde 13/03/2025 07:07
Pacientes no interior dos EUA são atendidos por médico em forma de holograma

Atendimento por videoconferência é coisa do passsado. Num projeto pioneiro, pacientes de câncer no interior do Tennessee e do Mississippi (EUA) estão sendo atendidos por médicos na forma de holograma.
Os médicos holográficos especialistas em oncologia são produzidos com os mesmos efeitos especiais que projetam artistas já falecidos em shows “de retorno”, como Elvis Presley.
A oferta para áreas rurais nos dois estados veio do West Cancer Center & Research Institute, um sistema de saúde que emprega cerca de 61 médicos e atende cerca de 19.240 novos pacientes por ano em 12 locais no Tennessee, Mississippi e Arkansas. A principal clínica do sistema fica em Germantown, Tennessee, um subúrbio de Memphis.
De acordo com reportagem no “WallStreet Journal”, os seus médicos passam horas na estrada a cada semana para chegar às clínicas satélites para ver pacientes em locais mais rurais, ao mesmo tempo em que dependem muito da videoconferência para check-ins.
Agora, no entanto, duas dessas clínicas — em Corinth (Mississippi) e Paris (Tennessee) — estão substituindo as videochamadas por telas semelhantes a hologramas em tamanho real.
A tecnologia tem proporcionado uma consulta mais humanizada e, tecnologicamente, menos fria.
“O paciente percebe a minha linguagem corporal, os meus movimentos de mão, há uma expressão que pode ser transmitida, o que, como você pode imaginar, é muito importante numa visita oncológica”, disse Sylvia Richey, diretora médica e oncologista médica do West Cancer Center. “Você não fica pixelado. Não há partes malucas do seu corpo faltando. É realmente incríve”, completou ela.
Os médicos são transmitidos de um pequeno estúdio de produção na clínica em Germantown e aparecem em caixas de tamanho real em salas de exames designadas nas clínicas satélites. As caixas são frontalmente revestidas com uma tela LCD 4K plana e clara, e uma configuração de iluminação especializada interna dá à imagem plana uma aparência de tridimensionalidade.
Os pacientes, no entanto, não estão sendo projetados como hologramas para os médicos. Nas clínicas, eles se comunicam por meio de câmeras — uma escolha intencional, de acordo com Sylvia, para dar ao paciente, em vez do médico, uma experiência mais realista.
“Eu consigo ver o paciente bem o suficiente para reconhecer uma erupção cutânea, um caroço ou um problema. Não consigo sentir tudo. Mas, muitas vezes, é tudo o que precisamos”, explicou a oncologista, cujo sistema de saúde gastou US$ 70 mil (R$ 406 mil) com a nova tecnologia.
O hardware e o software são fornecidos pela Proto Hologram, uma startup sediada em Los Angeles conhecida por criar hologramas em shows, conferências corporativas e outros eventos ao vivo.
A tecnologia vem se desenvolvendo lentamente desde a aparição espectral do rapper Tupac Shakur em forma de holograma num palco do festival Coachella, nos EUA, em 2012.
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