Ciência 30/10/2024 20:20
Cientistas querem trazer espécies extintas de volta ainda nesta década; veja as promessas e entenda críticas
g1 ouviu especialistas para traçar um panorama realístico da chamada 'desextinção', tema que além de levantar debates éticos é motivo de desconfiança de especialistas por causa das incertezas sobre as consequências ecológicas desses projetos.

Cientistas de uma grande empresa americana de biotecnologia se unem em uma missão audaciosa para trazer de volta à vida espécies extintas utilizando engenharia genética.
Com a ambição de reintroduzir essas criaturas até 2028, eles enfrentam desafios práticos, como a gestação em elefantes e a criação de células editadas em galinhas para garantir um retorno seguro desses animais aos seus habitats naturais.
Você está achando que já viu algo do tipo? E se te contarmos que não estamos falando de uma continuação da famosa saga “Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros“?
Longe das telonas e bem perto da realidade, esse “roteiro” é a ambição de um grupo de cientistas que trabalha num campo curioso (e eticamente tortuoso) da Ciência: o da desextinção de espécies.
Eles não querem criar uma “Ilha Nublar” para abrigar esses répteis que viveram no nosso planeta há milhões de anos, mas têm uma história muita parecida com a série de livros que inspirou a franquia do diretor Steven Spielberg.
A ideia por trás dessas empreitadas – sim, temos alguns diferentes projetos – é reviver outras espécies extintas, como o mamute-lanoso, o lobo-da-tasmânia, o dodô e o pombo-passageiro (entenda mais sobre essas espécies abaixo).
Os defensores da desextinção argumentam que isso representaria um importante avanço científico, já que a humanidade poderia evitar ondas de extinção em massa que ameaçam uma crescente lista de espécies.
“Os benefícios que a biotecnologia pode trazer para espécies ameaçadas e ecossistemas não serão nada comuns — serão transformadores”, diz ao g1 Ben Novak, cientista-chefe da Revive & Restore, uma das principais organizações com estudos do tipo.
Mas isso, claro, também poderia significar a possibilidade de trazermos de volta à vida animais que habitaram a Terra há milhões de anos, algo que traria várias implicações ecológicas e éticas.
Além disso, um argumento comum contra essa técnica polêmica é o fato de que ela pode representar uma utilização ineficiente dos nossos recursos de conservação ao desviar montantes preciosos que não estão sendo usados para preservar espécies que ainda correm riscos.
“Gastar centenas de milhões de dólares para trazer de volta um mamute híbrido com alguma coisa para soltar na conservada Sibéria é contraproducente quando estamos de fato lidando com a sexta extinção em massa em meio à uma crise climática sem precedentes”, defende Luís Fábio Silveira, vice-diretor do Museu de Zoologia da USP.
Entre argumentos contra e favor, está o consenso de que o desenvolvimento de novas técnicas de biotecnologia nessa área vem avançando, mas ainda estão longe de se tornarem reais.
Abaixo, entenda o que é ficção e o que é realidade a respeito da desextinção.
Temos pelo menos duas grandes organizações (a Revive & Restore e a Colossal Biosciences) e dois outros projetos (o Taurus e o Quagga) dedicados a pesquisas nessa área.
Fundada em 2012, a Revive se dedicou inicialmente à promoção da desextinção do mamute-lanoso, a espécie final de mamute que se ajustou às regiões mais setentrionais do nosso planeta, mas que foi extinta há cerca de 10 mil anos.

Descrição Jornalista
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