Relatório da PF e repercussão no STF
As trocas de mensagens entre Soares e Vorcaro que mencionam Gonet já haviam sido reveladas duas semanas antes, quando o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, tornou público um relatório da Polícia Federal.
O documento também continha referências ao ministro Alexandre de Moraes. Na ocasião, Mendonça solicitou ao presidente da Corte, Edson Fachin, que o caso fosse encaminhado ao plenário — o que de fato aconteceu na terça-feira passada. A análise, contudo, foi suspensa após pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Gonet, citado no relatório, passou a defender a nulidade do documento elaborado pela PF. Seu argumento é de que o material foi produzido a pedido de Mendonça, sem solicitação prévia do Ministério Público ou da própria Polícia Federal.
O procurador-geral também ressaltou que a legislação exige autorização do plenário do STF para que qualquer integrante da Corte seja alvo de investigação.
Mendonça diferencia menções a Gonet de outros diálogos
No decorrer do julgamento, o ministro André Mendonça fez uma distinção entre as mensagens que envolvem o procurador-geral e os diálogos de Vorcaro com outras autoridades.
“Aqui não estou fazendo juízo de valor em relação ao procurador-geral, até porque as informações que vieram, são informações, na minha avaliação, de outra densidade”, declarou o ministro durante a sessão no STF.
Na mesma ocasião, Gonet tomou a palavra para afirmar que seu único encontro com Vorcaro, ocorrido em abril de 2024, aconteceu na presença de diversas autoridades e foi de natureza “banal”.
“Não tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro que eu tive com o senhor Vorcaro se deu com várias autoridades em abril de 2024. A única ligação intermediada por advogado foi brevíssima e banal.
A atuação do Ministério Público Federal em primeiro grau e no Supremo Tribunal Federal (STF) sempre foi pelo total esclarecimento dos fatos e pelo sucesso da persecução penal”, afirmou o procurador-geral.
Degustação de charuto e uísque Macallan em Londres
As mensagens divulgadas por Mendonça revelam ainda que Gonet manifestou interesse em fumar charuto e beber uísque Macallan com o banqueiro em Londres. O plano envolvia a segunda edição de um Fórum Jurídico patrocinado pelo Master na Inglaterra, programado para 2025, mas que acabou cancelado.
No ano anterior, Gonet participou da primeira degustação custeada por Vorcaro, ocasião em que a foto com o charuto foi registrada.
Conforme revelou a colunista Malu Gaspar, do GLOBO, Vorcaro desembolsou R$ 3,2 milhões naquela oportunidade para promover um evento privado de degustação de Macallan no George Club, em Londres.
Em outro trecho das conversas, Soares repassa a Vorcaro mensagens que teriam sido escritas por Gonet, nas quais o procurador diz “estar com saudade” do banqueiro.
A resposta de Vorcaro a Soares foi: “Agradece muito o carinho. Saudades dele, vamos marcar de estar juntos”.
Deu em ConstraFatos