Golpes 31/08/2026 16:15
Um em cada três brasileiros já sofreu tentativa de golpe com uso de dados pessoais

Cerca de 45 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais, ou 32% dos usuários de internet no país, relataram ter sofrido alguma tentativa de golpe envolvendo o uso de seus dados pessoais.
Os dados são da terceira edição da pesquisa “Privacidade e proteção de dados pessoais: perspectivas de indivíduos, empresas e organizações públicas no Brasil”, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), ligado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).
O levantamento também aponta que aproximadamente 27,5 milhões de brasileiros, equivalentes a 20% dos usuários de internet acima de 16 anos, afirmam ter sido efetivamente vítimas desse tipo de golpe.
A diferença entre os indicadores está no fato de que os 45 milhões correspondem às pessoas que relataram tentativas de fraude, enquanto os 27,5 milhões são aquelas que declararam ter sido vítimas do crime.
Os golpes exploram informações relacionadas à identidade das vítimas para tornar as abordagens mais convincentes. Isso, porém, não significa necessariamente que os criminosos estejam produzindo golpes personalizados em escala.
“Não necessariamente é customizado, dado que pode ser um disparo em massa”, explica Oyadomari ao UOL.
As tentativas de golpe aparecem em diferentes meios de comunicação, combinando canais digitais e tradicionais. Entre os usuários que relataram ter sido alvo das abordagens, os aplicativos de mensagem aparecem como o principal meio utilizado pelos criminosos, citados por 84%.
Na sequência estão as ligações telefônicas, mencionadas por 79% dos entrevistados. Sites ou aplicativos falsos e SMS aparecem empatados, com 71% cada. E-mails foram citados por 69%, enquanto as redes sociais aparecem com 67%.
Principais canais usados nas tentativas de golpe:
Para Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br, a diversidade de canais utilizados mostra que os golpes envolvendo dados pessoais podem ter consequências que vão além das perdas financeiras e reforça a necessidade de medidas de prevenção, conscientização e proteção de dados.

A terceira edição da pesquisa também investigou, pela primeira vez, a relação entre privacidade e o uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa.
Os resultados mostram que os brasileiros fornecem quantidade significativa de informações pessoais e sensíveis aos sistemas de IA, apesar das preocupações com o tratamento desses dados pelas empresas responsáveis pelas plataformas.
Entre os usuários de internet que utilizam ferramentas de IA generativa, 37% afirmam fornecer dados pessoais como nome, endereço, data de nascimento ou CPF. Outros tipos de informação também aparecem com frequência:
O uso de IA para lidar com sentimentos e emoções chama atenção porque mais da metade dos usuários afirma recorrer às ferramentas para esse tipo de interação. Ainda assim, assuntos profissionais e acadêmicos são, de longe, a categoria mais citada.
Apesar desse comportamento, a preocupação com o uso das informações permanece elevada. Segundo os dados apresentados na pesquisa, 66% dos usuários de IA generativa dizem estar preocupados ou muito preocupados com a forma como as empresas responsáveis pelas ferramentas tratam seus dados pessoais. Outros 22% afirmam estar pouco preocupados, enquanto 11% dizem não estar preocupados.
O levantamento também indica uma redução, entre 2021 e 2025, na adoção de diversas práticas relacionadas ao controle e à proteção de dados pessoais.
A parcela de brasileiros que afirma ler políticas de privacidade de páginas ou aplicativos caiu de 68% para 65% no período. A verificação da segurança de sites e aplicativos, como a presença do cadeado de segurança no navegador, passou de 70% para 63%.
Também diminuiu a proporção de pessoas que recusam permitir o uso de seus dados pessoais para publicidade personalizada, de 69% para 67%.
Em outras práticas, a queda também foi registrada. A restrição do acesso à localização geográfica, por meio de GPS ou recursos semelhantes, passou de 62% para 57%. Já a limitação do acesso ao perfil em redes sociais caiu de 64% para 60%.
A solicitação para que páginas, aplicativos ou buscadores apagassem informações armazenadas sobre o usuário passou de 42% para 40%.
A única prática da lista que apresentou alta foi a configuração ou limitação do uso de cookies nas páginas visitadas, que passou de 58% em 2021 para 59% em 2025.

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