A Receita Federal, a Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz/SP), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Polícia Civil e outros órgãos deflagraram nesta sexta-feira (28) a Operação Bomba Oculta, para bloquear e interditar postos de combustíveis clandestinos que estavam operando sem autorização.
É a a terceira fase da Operação Carbono Oculto, que mira a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis.
Ao longo do dia, postos de combustíveis na cidade de São Paulo serão lacrados pelas equipes das instituições envolvidas. Além dessa ação, um total de 1.283 CNPJs e 228 Inscrições Estaduais serão tornados inaptos, bloqueando assim as contas bancárias e impedindo a emissão eletrônica de documentos fiscais.
De acordo com as autoridades, o crime organizado se infiltrou em toda a cadeia de combustíveis nacional, atuando desde a importação e a produção chegando até os postos revendedores.
Devido à grande pulverização da cadeia, com mais de 130 mil agentes, o setor virou um importante instrumento para lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, além de sonegação contumaz e adulteração de combustíveis.
Carbono Oculto
A Operação Carbono Oculto, deflagrada em 28 de agosto de 2025, revelou como os tentáculos do crime organizado penetraram em diferentes etapas da cadeia nacional de combustíveis, da importação e produção à distribuição e revenda. O setor, segundo as investigações, tornou-se um instrumento eficaz para lavagem de dinheiro do tráfico de drogas.
Na quarta-feira, 26, o Ministério Público de São Paulo denunciou 16 alvos da Operação Carbono Oculto. Eles são acusados de organização criminosa e lavagem de dinheiro em conexão com o PCC.
Segundo a Promotoria, os denunciados teriam integrado, promovido e financiado uma organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas voltada à prática de crimes como adulteração de combustíveis, falsidade documental, fraude contra o consumidor e crimes fiscais. O grupo também manteria conexão com outras organizações criminosas independentes.
De acordo com a Promotoria, os investigados teriam movimentado R$ 2.978.086.957,29 com o esquema.
Em maio, a Operação Fluxo Oculto, segunda fase da Carbono Oculto identificou que quatro fundos de investimento suspeitos de integrar um esquema de desvio de nafta ligado ao PCC acumulam patrimônio estimado em R$ 205 milhões.
Segundo o Ministério Público, os fundos registraram crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano e integram um robusto núcleo financeiro usado pela facção para movimentações internas entre distribuidoras e postos de combustíveis, transações entre empresas e fundos de investimento.
As investigações do Gaeco, braço do Ministério Público que combate o crime organizado, e da Receita Federal apontam que o PCC estruturou um esquema de abertura em série de empresas em diversos Estados do País para sustentar as fraudes.
Segundo a Promotoria, os denunciados teriam integrado, promovido e financiado uma organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas voltada à prática de crimes como adulteração de combustíveis, falsidade documental, fraude contra o consumidor e crimes fiscais. O grupo também manteria conexão com outras organizações criminosas independentes.

