Celebridades 09/05/2026 20:03
Última entrevista de Marilyn Monroe expõe lado íntimo em novo livro

Semanas antes de sua morte, em 1962, Marilyn Monroe concedeu uma de suas entrevistas mais reveladoras ao editor da revista Life, Richard Meryman — que neste ano, quando Monroe completaria 100 anos, vai publicar o livro ‘Marilyn: The Lost Photographs, The Last Interview‘.
Longe de tratar apenas da fama e do estrelato, a conversa acabou se tornando um retrato íntimo de uma mulher que, aos 36 anos, queria ser compreendida além da imagem pública construída ao longo da carreira.
A atriz, uma das maiores estrelas de Hollywood no século 20, resumiu logo no início o sentimento que carregava sobre sua própria imagem pública:
“Sabe, a maioria das pessoas realmente não me conhece.” Em seguida, reforçou seu desconforto com a forma como era percebida pelo público: “Esse é o problema — um símbolo sexual se torna uma coisa. Eu simplesmente odeio ser uma coisa.”
Por trás da persona de Marilyn Monroe estava Norma Jeane Baker, uma mulher cuja infância foi marcada por instabilidade. Antes da fama, viveu em orfanatos e lares adotivos. Ainda criança, encontrou no cinema uma espécie de refúgio. Ao lembrar desse período, contou:
“Decidi que queria ser atriz quando tinha cinco anos. Alguns dos meus pais adotivos costumavam me mandar ao cinema para me tirar de casa, e lá eu ficava sentada o dia todo e até altas horas da noite — na frente da sala, uma criancinha sozinha, e eu adorava.”
A descoberta veio aos 18 anos, quando trabalhava em uma fábrica de munições e foi fotografada por um profissional do Exército, que sugeriu que ela seguisse carreira como modelo. A mudança de visual, com os cabelos platinados, ajudou a consolidar a figura que se tornaria uma das imagens mais reconhecíveis do cinema.
Na entrevista, Marilyn também refletiu sobre o peso da fama e a relação ambígua que mantinha com ela. Comparou a experiência a um luxo excessivo:
“É como caviar. É bom comer caviar, mas se você comesse todo santo dia, sabe? [risos] Caviar demais.” Ela relembrou ainda um episódio após deixar um hospital em Nova York, em 1961, quando a pressão da multidão chegou a afetar sua recuperação física. “Percebi que as pessoas querem ver que você é autêntico.”
Segundo ela, a dimensão real de sua influência sobre o público só ficou clara durante uma visita à Coreia, em 1954. “Nunca senti que tinha algum efeito sobre as pessoas até estar na Coreia [em 1954].
Havia 75.000 homens sentados em seus casacos na neve, e quando eu saía, eles assobiavam e gritavam meu nome por 10 minutos antes mesmo de eu conseguir começar a falar.”
Outro momento lembrado foi sua famosa apresentação para o presidente John F. Kennedy, em 19 de maio de 1962, no Madison Square Garden.
O episódio ficou marcado por sua performance de “Happy Birthday, Mr. President”, mas ela revelou o nervosismo que sentiu antes de subir ao palco.
“Um silêncio sepulcral tomou conta do lugar. Eu não achava que fosse dizer nada. Quando cheguei ao microfone, respirei fundo uma vez e, de repente, pensei: ‘Vamos lá!’ Pensei: ‘Vou cantar essa música, mesmo que seja a última coisa que eu faça na vida. E não só pelo presidente, mas por todas as pessoas.’”
Após a apresentação, contou que preferiu apresentar seu ex-sogro ao presidente em vez de cumprimentá-lo formalmente: “Este é meu ex-sogro, Isidore Miller.”

Ao falar sobre sua trajetória em Hollywood, Marilyn descreveu as desigualdades e a condescendência que enfrentou no sistema de estúdios. Durante a produção de ‘Os Homens Preferem as Loiras’, ela contrastou seu salário com o da colega Jane Russell.
“Jane Russell era a morena e eu a loira. Ela recebeu 200 mil dólares e eu, 500 dólares por semana, o que para mim era considerável.” Sem sequer ter um camarim próprio, precisou reivindicar seu espaço: “Olha, afinal, eu sou a loira e é ‘Os Homens Preferem as Loiras!’”
Sua relação com a chamada vida social de Hollywood também era distante. “Já fui convidada para alguns lugares, meio que para animar um jantar. Às vezes, você não é convidada para si mesma.” Ela acrescentou: “Não me interessa. Gosto de pessoas. O público me assusta, as multidões me assustam.”
Sobre o rótulo de símbolo sexual, Marilyn demonstrou uma visão mais complexa e menos caricatural. “Se eu for um símbolo de alguma coisa, prefiro que seja o sexo do que algumas das outras coisas que eles simbolizam.”
Para ela, sexualidade e arte estavam profundamente conectadas: “Todos nós nascemos seres sexuais, graças a Deus. É uma pena que tantas pessoas desprezem e reprimam esse dom natural. Porque a arte, a verdadeira arte, nasce disso.”

Sua vida pessoal também surgiu com força na conversa. Ao falar sobre casamento, maternidade e família, revelou uma busca constante por estabilidade emocional. “Às vezes, penso que tudo o que sempre quis no mundo foi me contentar em ser uma mulher feliz no casamento, com uma família maravilhosa, mas não acho que trocaria isso por tudo o que aprendi.”
Marilyn também destacou a relação próxima com os enteados de seus casamentos com Arthur Miller e Joe DiMaggio. Ao descobrir que Bobby Miller escondia revistas com matérias negativas sobre ela, foi direta:
“Bobby, qualquer coisa que você queira saber sobre mim, venha me perguntar. Mas não fique sabendo por terceiros, por meio dessas coisas.” E resumiu: “Meus enteados são meus melhores amigos.”
Até mesmo sua fama de atrasada foi abordada com ironia. Diante das especulações da imprensa sobre depressão e crises pessoais, ela respondeu com humor:
“Então, eu simplesmente dedico um pouco mais de tempo ao meu cabelo, um pouco mais de sombra nos olhos. Um pouco mais de brilho. Sei lá, é só o meu jeito de dizer: ‘Ha!’”
Ao refletir sobre a própria trajetória, Marilyn demonstrou lucidez sobre as dores e aprendizados acumulados. “Aprendi muita coisa que não trocaria por nada.”
E concluiu com uma espécie de manifesto pessoal: “Espero, um dia, através do meu trabalho, poder compartilhar com algumas pessoas algumas coisas que aprendi. Talvez seja apenas um sonho. Mas também tenho direito aos meus sonhos.”
A entrevista foi publicada pela revista Life em 3 de agosto de 1962. Dois dias depois, Marilyn Monroe foi encontrada morta por envenenamento agudo por barbitúricos. O caso foi tratado como um “possível suicídio”, mas até hoje permanece cercado de dúvidas, segundo a People.
Dois dias antes de sua morte, Richard Meryman ainda a visitou para revisar o texto. Ele a encontrou descalça, de roupão, com o rímel da noite anterior ainda nos olhos, lendo cuidadosamente o manuscrito em voz alta. Ao sair, ouviu um último agradecimento.
“Enquanto eu me afastava, ela de repente me chamou: ‘Ei, obrigada’. Me virei e lá estava ela, estranhamente desolada. Lembrei-me então de sua reação mais cedo, quando perguntei se muitos amigos haviam ligado para apoiá-la quando ela foi demitida da Fox. Houve silêncio, e sentada bem ereta, com os olhos arregalados e magoados, ela respondeu com um pequeno ‘Não’.”
Com fotografias de Allan Grant, ‘Marilyn: The Lost Photographs, The Last Interview’ chega às livrarias no dia 12 de maio, e já está disponível para pré-venda em plataformas digitais.

Descrição Jornalista
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