R$ 10 mil por 100g: conheça o café mais caro do Brasil - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
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Bebidas 09/05/2026 16:06

R$ 10 mil por 100g: conheça o café mais caro do Brasil

R$ 10 mil por 100g: conheça o café mais caro do Brasil

Um microlote de apenas 100 gramas de café arábica da variedade geisha acaba de escrever um capítulo inédito na história da cafeicultura brasileira.

Produzido na Fazenda Rarus, em Carmo de Minas (MG), o lote foi arrematado por R$ 10 mil em um leilão de 24 horas realizado nas redes sociais nesta sexta-feira (8), estabelecendo o maior preço já pago por uma xícara de café no Brasil, R$ 1.400 por uma dose de 200 ml.

O cafeicultor Luiz Paulo Dias Pereira Filho selecionou manualmente o produto, avaliado com 92 pontos na escala sensorial, fermentou os grãos por sete dias a frio e realizou o processamento.

A exportadora Coffee Senses e a corretora Tribo da Cafeína realizaram a compra em conjunto, com 50% do lote raro para cada empresa.

Por que esse café vale tanto?

A variedade geisha é reconhecida internacionalmente como uma das mais complexas e raras do mercado. Aliada ao processo de fermentação a frio por sete dias e à seleção manual dos grãos, a bebida resultante coloca o produto brasileiro em patamar comparável aos melhores vinhos do mundo, referência feita pelo próprio produtor.

“Certamente esse é um preço recorde pago por uma xícara de café no Brasil, quiçá globalmente”, afirma Luiz Paulo. A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e a Alliance for Coffee Excellence (ACE) reconhecem o produtor como a primeira lenda mundial do café especial do país.

Quem comprou e o que dizem os arrematantes

Para Ana Flávia Fernandes, diretora comercial da Coffee Senses, o investimento vai além do produto em si. Segundo ela, valorizar cafés como o de Luiz Paulo é fundamental para promover a cafeicultura de excelência no Brasil. “A dedicação e o trabalho dele deveriam ser fonte de inspiração para todos nós”, destaca.

Já Fábio Ruellas, sócio e cofundador da Tribo da Cafeína, reforça que a busca por cafés raros, de altíssima pontuação e com identidade própria é a essência do negócio.

Para ele, o café produzido na Fazenda Rarus não deixa nada a dever a nenhum grande café do mundo. “São cafés que mostram a força, a sofisticação e o potencial extraordinário que o Brasil tem na produção de grãos especiais”, afirma.

O “winemaker” do café brasileiro

Luiz Paulo se autodenomina um coffee maker, referência direta aos winemakers do universo vinícola.

Por meio do Projeto Rarus, ele pretende cultivar, colher e processar micro e nanolotes de cafés cada vez mais raros, voltados a um público consumidor que, segundo ele, cresce junto com a exigência por excelência, elegância e qualidade.

Luiz Paulo com o café geisha fermentado que produziu, processou e leiloou por R$ 10 mil. Foto: Divulgação

Os 100 gramas do lote adquirido permitem o preparo de aproximadamente 1,4 litro de bebida, portanto, o equivalente a sete xícaras de 200 ml. Com o valor pago, cada xícara ultrapassa a casa dos R$ 1.400, consolidando o café brasileiro no mapa do luxo global.

Deu em Agroemcampo

Ricardo Rosado de Holanda
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