Energia. 01/07/2025 10:18
Setor de energia renovável enfrenta freada no Brasil após anos de crescimento acelerado

Após anos de avanços constantes, o setor de energia renovável no Brasil — que inclui fontes como a solar e a eólica — atravessa um período de retração. Nos últimos meses, grandes empresas como Enel, Auren e Shell solicitaram à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a revogação de autorizações de projetos em diversos estados.
O principal motivo é a inviabilidade econômica causada por gargalos na transmissão, excesso de oferta e dificuldade em negociar a energia gerada.
Os pedidos de cancelamento afetam diretamente projetos de larga escala, muitos deles aprovados durante a chamada “corrida do ouro” das energias limpas, impulsionada por benefícios tarifários garantidos por leis recentes.
A expectativa de um retorno financeiro estável se perdeu diante do cenário atual, marcado por câmbio instável, juros altos e falta de infraestrutura para escoar a produção energética.
A Enel Brasil é um dos casos mais emblemáticos dessa crise. Em junho, a empresa pediu a revogação de outorgas que somavam quase 1.500 megawatts (MW) de capacidade instalada — volume comparável ao de uma usina hidrelétrica de grande porte.
Segundo Bruno Riga, presidente da Enel Green Power, os cortes obrigatórios na geração, chamados de curtailment, postergam o retorno dos investimentos em até cinco anos.
“O estado onde temos o maior impacto é a Bahia, porque temos 1,6 GW de capacidade instalada, e que representa 40% de toda a nossa capacidade instalada no Brasil”, afirmou Riga.
A empresa destaca que, além da dificuldade de conexão à rede elétrica, a sobreoferta energética tornou os projetos menos atrativos, com uma geração real até 35% inferior ao previsto em algumas usinas.
A retração não é exclusiva da Enel. A Auren Energia também solicitou à Aneel a revogação de cinco outorgas referentes à segunda fase do Complexo Eólico Tucano, totalizando 159,6 MW.
A empresa alegou, entre outros fatores, os custos já desembolsados e a inviabilidade de negociar a energia gerada, tanto no mercado livre quanto em leilões.
A Shell Brasil seguiu o mesmo caminho e anunciou a interrupção de seus projetos de geração centralizada no país, que somavam cerca de 3 GW em energia solar.
A justificativa da empresa foi clara: sai mais barato comprar energia de terceiros do que continuar investindo em estrutura própria de geração.
Cristiano Pinto da Costa, presidente da Shell Brasil, foi direto: O mercado brasileiro tem excesso de oferta. Comprar energia no mercado é mais vantajoso do que investir em novas usinas, revelou ele.
Uma das maiores barreiras para a continuidade dos projetos é a infraestrutura de transmissão. Sem novas linhas para transportar a energia gerada até os centros consumidores, as usinas ficam limitadas ou são obrigadas a reduzir a produção.
Essa limitação já causa cortes diários no sistema elétrico. O Operador Nacional do Sistema (ONS) estima que até 2029 os cortes de geração por excesso de oferta — sem compensação financeira aos geradores — possam atingir até 20 GW em horários de pico.
E 96% desses cortes ocorrerão por motivos energéticos, ou seja, por desequilíbrio entre oferta e demanda.
Além disso, a lentidão no licenciamento ambiental, sob responsabilidade do Ibama, prejudica a construção de novas linhas.
Segundo a ISA Energia Brasil, que investe R$ 7,5 bilhões até 2029 em projetos de transmissão, a escassez de técnicos nos órgãos ambientais compromete o andamento dos processos.
A empresa aguarda liberação para concluir a instalação de uma linha de 1.100 km entre a Bahia e Minas Gerais, essencial para conectar novas fontes de energia renovável ao sistema.
O planejamento energético do Brasil, tradicionalmente baseado na previsão de demanda, agora é pressionado por uma geração em expansão que não encontra espaço na malha de transmissão.
A proposta do governador do Ceará, Elmano de Freitas, de o estado investir diretamente em novas linhas em parceria com a iniciativa privada, mostra como a situação chegou a um ponto crítico.
“O estado pode colaborar diretamente com a infraestrutura de energia renovável, encurtando prazos e garantindo segurança para investidores”, defende o governador, que tem buscado protagonismo no debate nacional sobre a energia limpa.
Apesar dos desafios, o cancelamento das outorgas não elimina totalmente a possibilidade de retomada desses projetos.
As empresas continuam detentoras dos empreendimentos e podem pleitear novas licenças no futuro.
No entanto, o fim do desconto na tarifa de uso das redes (tarifa fio), que estava atrelado às outorgas originais, exigirá que os projetos sejam remodelados e tornem-se financeiramente mais robustos para compensar a perda do benefício.
Especialistas alertam que o país precisa equilibrar melhor o crescimento da geração com os investimentos em infraestrutura.
Caso contrário, o Brasil corre o risco de desperdiçar seu enorme potencial de energia renovável por falta de planejamento e execução.

Descrição Jornalista
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