A possibilidade de fim da escala 6×1 acendeu um alerta no setor de aviação. Durante a coletiva de resultados do primeiro trimestre de 2026, realizada nesta terça-feira, 5, o CEO da LATAM, Jerome Cadier, fez uma previsão contundente: dependendo do formato aprovado pelo Congresso, o Brasil pode perder toda a sua operação de voos internacionais.
Projetos em discussão incluem aeronautas na mudança
Cadier explicou que há diferentes propostas legislativas em análise e que algumas delas contemplam pilotos e tripulantes nas alterações da escala de trabalho. Para o executivo, esse enquadramento não tem lógica para a atividade aérea.
“Ainda precisamos entender exatamente como e quando ela entra. Existem vários projetos na mesa. Alguns projetos incluem até aeronautas, os tripulantes e os pilotos nas mudanças da escala de trabalho. O que obviamente não faz sentido nenhum”, disse Cadier.
O motivo é estritamente operacional e, na avaliação do CEO, impossível de contornar: profissionais que atuam em rotas intercontinentais de longa distância enfrentam jornadas que naturalmente ultrapassam oito horas, algo intrínseco ao tipo de serviço desempenhado.
Limite de oito horas diárias eliminaria rotas intercontinentais
Caso a legislação imponha um teto rígido de oito horas por dia sem abrir exceções para a categoria dos aeronautas, o impacto prático seria a suspensão completa de todas as rotas internacionais de longa duração que partem do Brasil.
“Em um dos projetos que poderia ser implementado o Brasil não terá mais operação internacional, pois não poderemos operar voos de mais de oito horas. Então acaba toda a operação internacional”, salientou o executivo.
Apesar do tom de preocupação, Cadier manifestou confiança de que os parlamentares farão as adaptações necessárias. Segundo ele, tem certeza de que o Congresso realizará “ajustes para um trabalho especifico como é o do aeronauta”.
Projeto de Lula prevê jornada de 40 horas semanais
O projeto enviado pelo presidente Lula ao Congresso em abril, com urgência constitucional, estabelece a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas — ou seja, um máximo de 8 horas diárias — e assegura dois dias de descanso remunerado por semana.
O setor de transporte aéreo aparece no topo do ranking de categorias profissionais impactadas pela proposta de mudança na legislação trabalhista. Mais da metade dos trabalhadores formalizados na área — 53,2% — atua sob o regime de seis dias trabalhados e um de folga.
Custos operacionais podem subir pelo menos 20%
De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Serviços Auxiliares de Transporte Aéreo (Abesata), a migração para a escala 5×2 em atividades que funcionam ininterruptamente, 24 horas por dia, como aeroportos, pode representar um aumento de ao menos 20% nos custos operacionais em comparação ao modelo 6×1 atualmente vigente.
LATAM registra melhor resultado trimestral de sua história
A coletiva também trouxe números expressivos. A LATAM alcançou o melhor desempenho trimestral já registrado pela companhia, com lucro líquido de US$ 576 milhões nos três primeiros meses de 2026.
No período, a aérea transportou 22,9 milhões de passageiros, o que representa crescimento de 9,1% frente ao mesmo intervalo de 2025. O fator de ocupação atingiu 85,3%, e o EBITDA ajustado alcançou US$ 1,3 bilhão, avanço anual de 36,7%. Esse resultado foi obtido mesmo diante de um impacto estimado em aproximadamente US$ 40 milhões provocado pela alta nos preços do combustível ao longo do trimestre.
A empresa também gerou US$ 391 milhões em caixa, mantendo a liquidez total acima de US$ 4,1 bilhões, montante equivalente a 27% da receita acumulada nos últimos doze meses.
“A Latam iniciou 2026 mantendo a tendência observada em 2025 e consolidando seu desempenho financeiro, com crescimento sustentado em receitas, margens e geração de caixa”, declarou o CFO do Grupo Latam.


