Internet 25/05/2026 08:41
RN vai receber um cabo submarino próprio e um supercomputador bilionário, o estado deixará de depender exclusivamente do Ceará, que hoje concentra 90% de todo o tráfego de internet que circula pelo Brasil

O Rio Grande do Norte está prestes a mudar sua posição no mapa digital do Brasil com a chegada de um cabo submarino próprio. O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Hugo Fonseca, confirmou em entrevista ao jornal Tribuna do Norte que pelo menos uma zona de atracação para cabo submarino já está garantida, com anúncio oficial do governo federal previsto para os próximos 45 dias.
A infraestrutura é considerada estratégica porque 90% de todo o tráfego de internet que circula pelo Brasil passa exclusivamente pelo Ceará, e qualquer corte nos cabos que chegam a Fortaleza pode paralisar operações críticas como as bancárias.
Além do cabo submarino, o estado foi selecionado para receber um dos dois supercomputadores previstos no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial.
O equipamento será instalado no segundo semestre de 2026 no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba, na Grande Natal, com investimento de R$ 1,8 bilhão em recursos federais com contrapartida estadual.
A combinação de cabo submarino e supercomputador posiciona o Rio Grande do Norte como um futuro polo de tecnologia, data centers e computação de alto desempenho no Nordeste.

A lógica por trás da instalação do cabo submarino é simples: sem conexão direta com as rotas internacionais de dados, o estado não consegue atrair data centers, que precisam de proximidade física com os cabos para reduzir a latência na transmissão de grandes volumes de informação.
Atualmente, qualquer empresa que queira operar um centro de dados no Rio Grande do Norte precisa rotear o tráfego até o Ceará, adicionando milissegundos de atraso que inviabilizam operações que exigem resposta instantânea.
Hugo Fonseca explicou que o projeto para zonas de atracação do cabo submarino foi apresentado ao Ministério das Comunicações no ano passado. O estado disponibilizou 13 áreas prioritárias ao longo da costa potiguar, e pelo menos uma já está garantida, podendo ser em Natal ou em Areia Branca.
A ambição do governo estadual é conseguir dois pontos de atracação: um em Natal e outro em Areia Branca, conectados por um trecho do cabo submarino que margeie a costa e integre as regiões Leste e Oeste do estado.
A dependência do Ceará como ponto de entrada de praticamente toda a internet brasileira é um risco que especialistas apontam há anos.
O estado nordestino concentra a chegada de dezenas de cabos submarinos internacionais que conectam o Brasil à Europa, à África e à América do Norte, mas essa concentração significa que um acidente, sabotagem ou desastre natural em Fortaleza poderia interromper a comunicação digital de todo o país.
A diversificação geográfica dos pontos de atracação de cabos submarinos é uma questão de segurança nacional. O Rio Grande do Norte, com sua posição geográfica privilegiada no ponto mais próximo do continente africano e da Europa, é um candidato natural para receber novos cabos.
A instalação de um cabo submarino em Natal não apenas protege o sistema contra falhas concentradas no Ceará, mas abre uma rota alternativa que pode atrair operadores internacionais de telecomunicações e provedores de nuvem.
O segundo componente da transformação tecnológica do Rio Grande do Norte é o supercomputador que será instalado no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, na cidade de Macaíba. O equipamento faz parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e representa um investimento de R$ 1,8 bilhão, com recursos federais e contrapartida do governo estadual.
O supercomputador será um dos dois previstos no plano nacional, e sua instalação no Rio Grande do Norte reforça a estratégia de descentralizar a infraestrutura de tecnologia no Brasil.
O equipamento poderá ser usado para pesquisas em inteligência artificial, simulações climáticas, processamento de dados genômicos e aplicações industriais que exigem capacidade computacional que nenhum servidor convencional oferece. A proximidade com o futuro cabo submarino cria um ecossistema completo: dados chegam pela fibra ótica do mar e são processados pelo supercomputador em terra.
Hugo Fonseca revelou um dado que explica a urgência do investimento: apenas 30% da indústria do Rio Grande do Norte é digitalizada. A chegada do cabo submarino e do supercomputador é considerada condição necessária para que as duas principais regiões do estado, Leste e Oeste, estejam aptas a receber investimentos da indústria eletrointensiva, incluindo data centers e centros de computação de alto desempenho que exigem conexão direta com cabos submarinos.
A modernização da indústria potiguar depende de conexão de alta velocidade e baixa latência, algo que só um cabo submarino com atracação local pode oferecer.
Sem essa infraestrutura, o estado permanece dependente do Ceará para qualquer operação digital intensiva, o que encarece custos para data centers, aumenta a latência e reduz a competitividade frente a estados que já possuem conexão direta com as rotas internacionais de dados.
Você sabia que 90% da internet brasileira passa por um único estado? Acha que o cabo submarino e o supercomputador vão transformar o Rio Grande do Norte em polo de tecnologia, ou a infraestrutura sozinha não basta? Conta nos comentários.
Deu em CPG

Descrição Jornalista
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