Vacina 02/04/2021 06:41
Quem já tomou a 2ª dose da vacina pode passar a Páscoa com outra pessoa?
Especialistas ouvidos pelo G1 avaliam que não. Principal motivo é a incerteza sobre transmissão: estudos ainda não apontaram se quem foi imunizado deixa de transmitir o vírus.

Com a chegada do feriado da Páscoa, cientistas, médicos e outros profissionais de Saúde têm pedido às pessoas que fiquem em casa e mantenham o isolamento para diminuir a disseminação do coronavírus.
Mas e quem já tomou a segunda dose da vacina? Essas pessoas – cerca de 5 milhões – podem passar o feriado junto com outras?
Especialistas ouvidos pelo G1 avaliam que não.
“Não pode. A transmissão está descontrolada. Não sabemos se vacinados transmitem, então existe esse risco. Infelizmente mesmo quem tomou o regime completo não pode [se] aglomerar nesse momento”, avalia a biomédica Mellanie Fontes-Dutra, pesquisadora de pós-doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
“Se o cenário de transmissão fosse outro, as ações poderiam ser outras. Mas está tudo explodido, com um potencial imenso de agravar ainda mais, com justamente esses contatos que podem ocorrer na Páscoa”, afirma Fontes-Dutra.
Para o infectologista Renato Kfouri, a conduta deve ser a mesma e os cuidados devem ser mantidos, sendo Páscoa ou não. Ou seja, as pessoas não devem aglomerar, devem usar máscaras e precisam higienizar as mãos. “Independente da proteção individual da vacina, a pessoa pode se infectar, pode entrar em contato com o vírus, ser uma transmissora do vírus. É importante não aglomerar nesse momento”.
Para a infectologista e diretora da vigilância em Saúde do município de Rio Claro, interior de São Paulo, Suzi Berbert, optar por se reunir com familiares é uma aposta arriscada.
“Não é o momento de fazer uma aposta com a saúde. A possibilidade de pegar o vírus e ter uma evolução ruim pode ser uma exceção, mas não pode ser descartada e, infelizmente, estamos em um momento que não há leitos nos hospitais do estado. Não é prudente se colocar ou colocar as pessoas em risco”, explica Berbert.
Ethel Maciel, epidemiologista e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) o Brasil ainda está longe de uma situação de segurança epidemiológica que permita encontros e aglomerações.
“ É muito importante que as pessoas não se aglomerem. A gente ainda não tem segurança epidemiológica e estamos muito longe desse cenário ainda”.
Segundo a especialista, é necessário que o país alcance, no mínimo, o percentual de 70% da população vacinada para que não haja riscos graves para a saúde.
“ Aqui a gente não tem nem o grupo prioritário acima de 60 anos vacinado e ainda nem conseguimos vacinar todos os profissionais de saúde, só temos pouco mais de 8% da população vacinada. Definitivamente, não é o momento para encontros”, afirma Maciel.
Deu em G1

Descrição Jornalista
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