Greves 19/06/2024 11:12
Professores de universidades reclamam que Haddad não os recebe
Foi a primeira reunião do sindicato dos docentes de federais com o Ministério da Fazenda desde início da greve, mas Haddad escalou auxiliar

Em primeira reunião com o Ministério da Fazenda desde o início da greve docente, a direção do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) foi recebida, na tarde desta terça-feira (18/6), pelo secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, que representou o ministro Fernando Haddad.
Os representantes do sindicato, porém, reclamaram por não terem sido recebidos pelo próprio titular da pasta, que é professor universitário e ex-ministro da Educação.
Durante o horário da reunião com o sindicato docente, Haddad tratava do Plano Safra com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, no mesmo prédio, o bloco P da Esplanada dos Ministérios.
“Nós trouxemos para essa mesa a apresentação da nossa pauta, especificamente relacionada ao orçamento. Então, o debate foi direcionado para esse item”, disse Jennifer Susan Webb, primeira tesoureira do Andes, ao Metrópoles.
Foram debatidas a campanha salarial do Andes — especialmente a contraproposta que traz um índice de correção ainda para 2024 (veja detalhes abaixo) — e a recomposição do orçamento nas instituições federais.
Segundo Jennifer, o secretário não conseguiu dar resposta sobre a questão da pauta salarial e sinalizou a defesa da proposta do governo como aquilo que é possível fazer nesse momento. “Ele disse que não é possível justamente porque para 2024 já estaria fechado todo o planejamento, a partir do que foi o ano passado e que nesse momento não seria possível o atendimento. Mas a gente sabe que tem categoria que recebeu”, afirmou ela.
Ainda segundo a tesoureira, o secretário não fez questionamentos sobre a greve da educação pública federal e mostrou desconhecimento sobre o movimento.
Procurado pela reportagem, o Ministério da Fazenda disse que a reunião realizada nesta tarde com representantes do Andes “sempre esteve restrita à participação do secretário”.
A pasta completou: “Em nenhum momento houve previsão de participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que se encontrava em audiência interna agendada anteriormente. O Ministério da Fazenda reitera que a pasta responsável pela condução de negociações com os servidores públicos federais é o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI)”.
O pedido de audiência com ministros foi feito no início da greve docente, em meados de abril.
Os sindicalistas ainda não foram recebidos por nenhum deles, apenas por técnicos das pastas envolvida nas negociações. “Nenhum ministro atendeu a gente e essa é uma das nossas reivindicações, das nossas críticas também, inclusive ministros professores”, criticou Jennifer. Além de Haddad, a ministra da Gestão, Esther Dweck, também é professora universitária.
A greve de professores das carreiras do Magistério Superior (MS) e do Magistério do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT) recém completou dois meses, em 15 de junho. Segundo o Andes, a paralisação atinge 62 instituições federais de ensino.
Na semana passada, o governo Lula (PT) fez um novo sinal aos docentes e propôs, por intermédio do Ministério da Educação (MEC), mexer com a carga horária e o registro de ponto eletrônico do EBTT, que contempla os professores dos institutos federais, mediante a revogação da Portaria nº 983/2020, editada pelo governo Jair Bolsonaro (PL).
Como mostrado mais cedo pelo Metrópoles, universidades e institutos federais terão até sexta-feira (21/6) para fazerem suas assembleias e deliberar sobre o acordo com o governo federal e o fim da greve docente. No domingo (23/6), a direção deverá reunir os resultados dessas assembleias.
Jennifer disse que a avaliação é que se tem “um ponto de inflexão” do governo, mas houve avanço nas pautas não-orçamentárias.
“A gente está colocando isso para a categoria para ser avaliado em assembleia durante essa semana. No próximo final de semana, a gente vai pegar o levantamento dessas assembleias para poder ver qual vai ser o direcionamento para a semana seguinte”, afirmou a tesoureira.
“A gente considera que se a gente tivesse encerrado no dia 27 [de maio], quando o governo deu o ultimato para a gente, com certeza a gente não teria avançado para essas conquistas da pauta das revogações que a gente também solicitava como prioritárias.”
No início de junho, professores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) decidiram pelo retorno às aulas em votação apertada.

Descrição Jornalista
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