Por que a capital do México está afundando 2 cm todo mês - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
PMN – Restituição Silidária – 2004 a 1905

Catástrofes Naturais 10/05/2026 20:20

Por que a capital do México está afundando 2 cm todo mês

Por que a capital do México está afundando 2 cm todo mês

A Cidade do México, uma das maiores metrópoles do mundo, enfrenta um acelerado processo de afundamento do solo — fenômeno conhecido pelos especialistas como subsidência.

Segundo dados recentes da NASA, algumas áreas da capital mexicana, que abriga cerca de 22 milhões de habitantes, estão afundando até 2 centímetros por mês.

A descoberta foi feita a partir de medições do satélite NISAR, desenvolvido em parceria entre a agência espacial norte-americana e a Organização Indiana de Pesquisa Espacial.

O equipamento, lançado em julho de 2025, utiliza um sistema de radar capaz de monitorar, em tempo real, alterações na superfície terrestre a partir da órbita do planeta.

Segundo comunicado da NASA, a tecnologia consegue detectar mudanças mínimas no solo — mesmo através de vegetação mais densa ou cobertura de nuvens —, incluindo afundamentos e elevações de uma área, deslocamento de geleiras e até o crescimento de plantações.

Mapa da última análise do NISAR, feita entre outubro de 2025 e janeiro de 2026 (período de seca na Cidade do México). As regiões em azul escuro apresentam subsidência superior a 2 centímetros por mês — Foto: NASA/JPL-Caltech / David Bekaert
Mapa da última análise do NISAR, feita entre outubro de 2025 e janeiro de 2026 (período de seca na Cidade do México). As regiões em azul escuro apresentam subsidência superior a 2 centímetros por mês — Foto: NASA/JPL-Caltech / David Bekaert

Mas o que causa o afundamento?

Um dos principais fatores por trás do afundamento do solo é a intensa extração de água subterrânea. Como a cidade foi construída sobre o leito de um antigo lago, seu solo é extremamente instável e composto por uma terra argilosa.

Assim, com a retirada contínua de água do aquífero — somado ao peso da expansão urbana —, essas camadas do solo acabam se comprimindo, fazendo com que a superfície afunde gradualmente.

O problema afeta a capital mexicana há mais de um século. Nas décadas de 1990 e 2000, algumas regiões chegaram a afundar cerca de 35 centímetros por ano, causando danos em diferentes estruturas urbanas.

“A Cidade do México está afundando principalmente devido à extração de água subterrânea do aquífero abaixo da cidade a uma taxa que excede em muito a recarga natural proveniente da precipitação [queda de água da atmosfera para a superfície terrestre]”, afirmou Marin Govorčin, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, em entrevista ao jornal The Guardian.

“À medida que a água é retirada, o aquífero se compacta sob o peso da cidade acima dele.”

Impactos na infraestrutura

Com taxas de afundamento que chegam a 2 centímetros por mês (equivalente a até 24 centímetros por ano), os efeitos do fenômeno já podem ser observados em diferentes partes da infraestrutura urbana: ruas deformadas, prédios históricos inclinados e danos em estruturas subterrâneas, como o sistema de metrô.

Um dos exemplos destacados no monitoramento é o monumento do Anjo da Independência, localizado no Paseo de la Reforma, principal avenida da cidade.

Construída em 1910, a estrutura de 36 metros de altura precisou receber 14 degraus adicionais em sua base ao longo de anos para compensar o afundando gradual do terreno ao redor.

Outro fator que também se mostra um problema é o abastecimento de água na capital. Conforme o solo se desloca e a cidade afunda, as tubulações acabam se rompendo, o que aumenta as perdas na distribuição de água, atualmente estimadas em cerca de 40%.

Como aponta o jornal The Guardian, aproximadamente metade da água consumida na Cidade do México vem de aquíferos subterrâneos.

O nível dessas reservas pode diminuir cerca de 40 centímetros por ano, criando um ciclo difícil de interromper: à medida que mais água é extraída, o solo se comprime ainda mais, intensificando o afundamento da cidade e os impactos sobre a infraestrutura.

Para especialistas, interromper esse processo é um desafio complexo. Segundo Efraín Ovando Shelley, engenheiro da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam), a solução mais eficaz seria reduzir a extração de água subterrânea, algo difícil em uma região metropolitana com cerca de 22 milhões de habitantes.

Apesar das dificuldades para conter o avanço da subsidência, cientistas acreditam que o NISAR pode representar um avanço importante no monitoramento do fenômeno. Além da Cidade do México, o sistema poderá ser usado para acompanhar alterações no solo em diferentes regiões do planeta.

“A Cidade do México é um ponto crítico conhecido quando se trata de subsidência, e imagens como esta são apenas o começo para o NISAR”, disse David Bekaert, gerente de projetos do Flemish Institute for Technological Research e membro da equipe científica do projeto lançado, em comunicado.

“Veremos uma onda de novas descobertas de todo o mundo, dadas as capacidades de sensoriamento exclusivas do NISAR e sua cobertura global consistente.”

Deu em Galileu
Ricardo Rosado de Holanda
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