De acordo com a fonte, as análises já estão em fase final e devem ser concluídas nas próximas semanas. As amostras estão sendo avaliadas no Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da Petrobras (Cenpes), no Rio de Janeiro. Essas amostras percorreram mais de 2 mil quilômetros por via marítima entre a costa do Amapá e o Rio de Janeiro.
Se forem confirmadas neste patamar, as amostras serão de um petróleo de grau API similar ao encontrado na Guiana e um dos mais leves já descobertos no Brasil.
O transporte das amostras foi realizado em condições controladas para preservar as características originais do óleo e permitir uma avaliação detalhada de sua densidade, composição e potencial comercial. Por isso, a amostra não pode se transportada por via aérea.
Na indústria petrolífera, quanto maior o grau API, mais leve e valorizado tende a ser o petróleo, uma vez que sua transformação em derivados como gasolina, diesel e querosene de aviação exige menor processamento nas refinarias.
Para efeito de comparação, o petróleo produzido no campo de Tupi, o maior do pré-sal brasileiro e responsável por cerca de um quinto da produção nacional, possui API em torno de 28. Já o óleo do campo de Jubarte, na Bacia de Campos, apresenta aproximadamente 17 API e é classificado como pesado.
O grau API é uma escala utilizada internacionalmente para medir a densidade relativa dos derivados e do petróleo bruto. A lógica é inversa à densidade: quanto maior o número de API, mais leve é o petróleo.
Segundo especialistas, óleos mais leves tendem a oferecer maior rendimento na produção de derivados de maior valor e podem ser mais simples de processar em determinadas refinarias.
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A comparação com a produção da Guiana ajuda a dimensionar o potencial da Margem Equatorial brasileira. Os principais tipos de petróleo produzidos pela ExxonMobil na Guiana apresentam API entre cerca de 32° e 34°. O campo de Liza, por exemplo, tem API de 31,9°. Já o poço exploratório Unity Gold apresenta API de 34°, segundo a ExxonMobil.
Mas, segundo geólogos ouvidos pelo GLOBO, o grau API varia de acordo com o campo e região. Em Tupi, no pré-sal da Bacia de Santos e um dos principais campos produtores do país, o API está na faixa de aproximadamente 30°. Búzios fica perto de 28,5°; e Mero, em torno de 29° a 30°.
O petróleo de Marlim, no pós-sal da Bacia de Campos, tem API em torno de 20° a 23° e Jubarte, de 17°, considerados mais pesados e complexos de refinar.
Não é só o API, teor de enxofre interfere para ter ‘petróleo doce’
Mas o API não determina sozinho quanto vale um barril. O teor de enxofre, a acidez, a composição química e o perfil de destilação também interferem na avaliação feita pelas refinarias e pelo mercado.
Tupi, por exemplo, apresenta cerca de 0,26% a 0,37% de teor de enxofre, Búzios fica na faixa de 0,31% a 0,33% e Mero em aproximadamente 0,30% a 0,31%, dependendo da corrente analisada. Isso significa que importantes campos do pré-sal brasileiro também produzem o chamado petróleo doce.
Segundo especialistas, cada refinaria é projetada para processar um tipo específico de petróleo. No Brasil, as refinarias foram tradicionalmente preparadas para petróleo mais pesado da Bacia de Campos.
Com a descoberta do pré-sal, passaram por ajustes para se adaptar a um petróleo mais leve. Além disso, a Petrobras importa petróleo justamente para equilibrar as misturas do óleo.
Por isso, geólogos lembram que, se o petróleo da Bacia da Foz do Amazonas seguir as características da Guiana, e apresentar um API na casa dos 30° ou acima, estará em uma faixa semelhante à de importantes petróleos do pré-sal brasileiro e próxima das principais correntes produzidas atualmente na Guiana.
A Petrobras recebeu o aval do Ibama na sexta-feira para perfurar mais três poços no bloco FZA-M-59 na Bacia da Foz do Amazonas. Além disso, está em andamento o processo de licenciamento em outros blocos, como 57, 86, 88, 125 e 127. Todos esses seis blocos foram arrematados na 11ª Rodada de Licitações da ANP, em 2013.
Em junho do ano passado, a estatal adquiriu ainda 10 blocos na Bacia da Foz do Amazonas no 5º Ciclo de Oferta Permanente, todos em parceria com a Exxon, mas vai operar apenas cinco.

