FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Crianças 25/01/2026 15:35

O método escandinavo que supostamente cria filhos “mais equilibrados e felizes”

O método escandinavo que supostamente cria filhos “mais equilibrados e felizes”

Nos países nórdicos, criar filhos felizes e bem-ajustados é resultado de um método baseado na confiança, na liberdade e na conexão com a natureza.

Essa abordagem educacional, bastante diferente dos chamados modelos tradicionais, está atraindo cada vez mais famílias ao redor do mundo.

As chaves para a educação escandinava

Se você pensa que a educação escandinava se resume a deixar as crianças brincarem na neve usando gorros de lã tricotados à mão, pense novamente. Por trás dessa imagem “gentil e rústica” reside uma filosofia educacional genuína, muito mais profunda do que aparenta.

Na Escandinávia, uma criança não é um recipiente a ser preenchido, mas uma semente a ser nutrida e ajudada a crescer.

A educação baseia-se em três princípios essenciais: gentileza, empoderamento e autonomia. Os pais escandinavos confiam nos seus filhos, mesmo nos mais pequenos, para explorarem, experimentarem e fazerem as suas próprias escolhas.

Ensinam-lhes a resolver problemas do dia a dia, a gerir as suas emoções e a expressar os seus sentimentos sem vergonha. O objetivo não é evitar a frustração, mas sim apoiá-los com delicadeza e respeito.

Aqui, autoridade não é sinônimo de medo. Os adultos agem como guias benevolentes, não como “líderes supremos”. A comunicação é aberta, horizontal e baseada na escuta e na cooperação. Raramente se ouve um pai ou mãe escandinavo(a) dizer:

“Porque é assim que as coisas são, ponto final”. A preferência é explicar, discutir e negociar. Isso leva tempo, certamente, mas o resultado é notável: crianças mais confiantes, mais empáticas e mais independentes.

Uma imersão diária na natureza.

Se você já visitou uma pré-escola na Dinamarca ou na Suécia, talvez tenha notado algo incomum: as salas de aula parecem… vazias. Sem brinquedos chamativos em cada canto, sem telas brilhantes. E por um bom motivo: as crianças estão ao ar livre, faça chuva ou faça sol.

Essa filosofia é chamada de “friluftsliv”, literalmente “vida ao ar livre”. A ideia? Aprender através da natureza, com a natureza e na natureza. As crianças constroem abrigos, observam insetos, cozinham em uma fogueira e descobrem os ciclos das estações. Não há nada igual para desenvolver habilidades motoras, curiosidade e criatividade.

Os pesquisadores concordam: o contato regular com o ambiente natural promove a concentração, reduz o estresse e melhora a saúde física e mental. E para os pais escandinavos, isso é indiscutível. Estar ao ar livre também significa aprender a respeitar o planeta, a entender que fazemos parte de um todo vivo.

O papel central das escolas no bem-estar social

Nos países nórdicos, a escola não é uma competição, mas sim uma comunidade. O objetivo não é formar pequenos gênios capazes de recitar o alfabeto aos 3 anos de idade, mas sim permitir que cada criança floresça no seu próprio ritmo. Os professores são considerados verdadeiros guias no desenvolvimento pessoal.

As salas de aula são calmas e acolhedoras, e a aprendizagem frequentemente ocorre por meio de brincadeiras e cooperação. A ideia não é evitar desafios, mas sim abordá-los em um ambiente descontraído, sem medo de falhar. O sucesso não é medido apenas pelas notas, mas pela capacidade de trabalhar em equipe, demonstrar empatia e encontrar soluções criativas.

Essa abordagem inclusiva e pacífica também permite uma melhor aceitação da diversidade. Crianças com necessidades especiais não são excluídas, mas integradas em projetos de grupo. O resultado? Menos estresse, mais solidariedade e um verdadeiro senso de pertencimento.

Resultados positivos foram observados.

Não é, portanto, surpreendente que as crianças escandinavas figurem regularmente entre as mais felizes do mundo, de acordo com rankings internacionais. Seu equilíbrio emocional, autoconfiança e capacidade de lidar com os desafios da vida são amplamente elogiados por especialistas em educação.

A chave para o sucesso reside não apenas na educação, mas também em políticas públicas robustas que apoiem as famílias. A licença parental é generosa e compartilhada entre ambos os pais para promover a igualdade. Os horários de trabalho são planejados para permitir um verdadeiro equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Os pais não são julgados, mas sim apoiados por uma rede social forte e solidária.

Como resultado, as famílias sentem menos culpa e mais confiança. As crianças crescem em um ambiente onde o amor é medido não pelo desempenho, mas pela presença.

Uma inspiração para o resto do mundo.

A educação escandinava não é uma fórmula mágica, mas nos convida a reavaliar nossas prioridades. Ela nos lembra que uma criança feliz não nasce da “perfeição dos pais”, mas sim da conexão, da liberdade e da confiança. E se, em vez de tentarmos controlar tudo, aprendêssemos a deixar fluir um pouco?

E se ousássemos brincar mais ao ar livre, ouvir mais e compartilhar mais momentos simples e genuínos? Talvez o segredo da felicidade familiar não esteja em um manual, mas nessa filosofia cotidiana: uma que vê a infância como uma jornada, não uma corrida.

Em resumo, o método escandinavo não é um modelo rígido, mas um convite a repensarmos nossa abordagem à educação. Ao colocar a felicidade, a confiança e a bondade no centro da parentalidade, oferece uma lufada de equilíbrio e humanidade da qual todos podemos nos inspirar. Afinal, criar um filho feliz não é a maior conquista de todas?

Deu em The Body Optimist
Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista