Judiciário 18/05/2021 09:32
Moro nega ter pedido para PF apagar mensagens e diz que avisou vítimas
Ex-ministro presta depoimento.Diz que havia “receio” sobre teor. Juiz rechaça perguntas pessoais

O ex-ministro da Justiça e ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro prestou depoimento nesta 2ª feira (17.mai.2021) como testemunha no processo que investiga a invasão de hackers a mensagens trocadas por autoridades.
Moro negou que tenha interferido na Polícia Federal para obter informações sobre as investigações da operação Spoofing, deflagrada em 2019 contra o grupo responsável pela invasão do aplicativo Telegram de Moro e outras pessoas –entre elas procuradores da Lava Jato em Curitiba.
De acordo com o ex-ministro, o delegado responsável pela apuração apenas “reportou” a ele informações sobre o andamento das investigações. O ex-ministro negou que tenha pedido a exclusão das mensagens obtidas e disse que informou as vítimas dos ataques.
“Havia receio, ao meu ver infundado, de que a Polícia Federal poderia utilizar esse material para devassar a privacidade ou utilizar esse material de alguma maneira contra os agentes públicos. Seria uma espécie de ‘revitimização’. Eu comuniquei aquelas vítimas para que elas pudessem ficar tranquilas”, declarou.
Moro foi questionado pelo advogado Ariovaldo Moreira sobre qual número teria sido hackeado: se o seu pessoal ou o funcional como juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba. Moreira atua na defesa de Walter Delgatti Neto, conhecido como Vermelho, apontado como principal responsável pelo ataque hacker.
O ex-juiz disse que usava apenas o celular pessoal para conversar com seus familiares e amigos. Depois, afirmou que foi hackeado quando já era ministro da Justiça, indicando que o número alvo do golpe on-line teria sido o pessoal. As conversas atribuídas a Moro incluem ex-procuradores, como Deltan Dallagnol, que foi coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal em Curitiba.
Moro voltou a dizer que o conteúdo foi obtido por meios ilícitos e que, portanto, deveria ser desconsiderado.
O advogado Ariovaldo Moreira perguntou a Moro sobre sua relação pessoal com o juiz que conduz a ação penal sobre a operação Spoofing: Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília. Moreira queria saber se Moro tinha o número de Soares Leite anotado em seu celular. O juiz rejeitou o questionamento, que não pôde ser respondido.
Além de Moro, também prestou depoimento nesta 2ª feira (17.mai.2021) Manuela D’Ávila (PC do B), que foi candidata a vice-presidente em 2018 na chapa de Fernando Haddad (PT). Ela foi citada por Walter Delgatti Neto como uma interlocutora entre ele e o jornalista Glenn Greenwald, fundador do The Intercept Brasil, que divulgou trechos das conversas hackeadas.
Deu em Poder360

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