Mais de 58% dos candidatos têm ensino superior completo; entre eleitores, são 11% - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Eleições 25/08/2026 10:11

Mais de 58% dos candidatos têm ensino superior completo; entre eleitores, são 11%

Mais de 58% dos candidatos têm ensino superior completo; entre eleitores, são 11%

Entre os candidatos registrados para as eleições deste ano, mais de 58% possuem ensino superior completo. Embora essa escolaridade alcance apenas 11% do eleitorado, a proporção de votantes com graduação mais que dobrou desde 2014.

Os dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostram que a busca por níveis mais elevados de instrução cresceu tanto entre candidatos quanto entre eleitores, embora com ritmos distintos.

A quantidade de postulantes a cargos públicos com curso superior teve crescimento relativo de 29% entre 2014 e 2026, enquanto a de eleitores graduados disparou 101% no mesmo período, saltando de cerca de 8 milhões para 18 milhões.

Para o mestre em Direito Constitucional Eleitoral Guilherme Gonçalves, a maior escolarização do eleitorado é resultado direto de investimentos em políticas públicas educacionais nas últimas décadas. Esse avanço, contudo, não se reflete com a mesma intensidade no perfil dos candidatos.

“Esse descompasso decorre de dois fatores: a dificuldade genérica de entrar na política, principalmente para os mais jovens, e a desesperança dessa mesma parcela da população em relação ao cenário político”, afirma o especialista.

Além disso, Gonçalves aponta que a alta taxa de crianças inscritas nas escolas brasileiras permite projetar um cenário futuro em que candidaturas de pessoas com apenas o ensino fundamental completo serão cada vez mais raras.

Nesse contexto, ele prevê que a transição deva garantir um aumento nas taxas de candidatos de nível médio ao longo dos anos, porém não necessariamente nos mesmos registros sobre nível superior.

“Adentrar na política ainda é algo restrito a indivíduos com condições econômicas melhores, que muitas vezes já possuem ensino superior. Em contrapartida, muitas das candidaturas de nível fundamental vêm de pessoas mais velhas que não tiveram acesso à educação na juventude”, explica.

“Com o tempo e o envelhecimento populacional, teremos uma diminuição natural das candidaturas de nível fundamental. Contudo, isso não significará, necessariamente, um aumento nas de nível superior, justamente porque a parcela jovem, que é quem mais movimenta os índices educacionais do país, não tem demonstrado interesse em ingressar na política”, defende.

A barreira do ensino fundamental

A fala do jurista é reforçada com os dados: no nível fundamental, a presença de candidatos com apenas essa etapa de ensino diminuiu 64% ao longo do período analisado, uma mudança bastante acentuada diante de todas as outras variações.

Leandro Gabiati, cientista político, porém, enxerga os dados de uma forma um pouco diferente da de Gonçalves. Para ele, o levantamento aponta para um direcionamento “ascendente” na sociedade que, mais escolarizada, passa a enxergar a política de forma mais exigente.

“Embora a legislação não exija diploma universitário para a maioria dos cargos eletivos, uma sociedade mais escolarizada tende a valorizar mais a formação dos seus representantes. Isso pode fazer com que partidos e os próprios candidatos enxerguem maior escolaridade como um atributo eleitoral positivo”, reflete Gabiati.

Ainda de acordo com o cientista político, as próprias siglas tendem a fazer algumas diferenciações na hora de escolher o candidato a ser lançado em seu nome, preferindo representantes mais instruídos.

“Os partidos competem entre si e, por isso, tendem a priorizar candidaturas com maior potencial de atrair votos, o que inclui perfis com escolaridade mais alta, reforçando a percepção de que instrução pesa na disputa eleitoral”, finaliza.

Deu em R7
Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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