Corrupção 17/03/2026 11:25
Irritação e tensão: como foi a conversa de Lula e Lulinha sobre INSS

A conversa ocorrida entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, sobre a crise no INSS foi tensa e marcada por um forte tom de cobrança, com momentos de muita irritação da parte do petista.
Esta é a versão que circula na cúpula do governo e na alta direção petista, diante das menções ao nome do filho de Lula nas investigações sobre desvios de aposentadorias e pensões.
A conversa, relatada à CNN Brasil por três fontes diferentes, teria ocorrido assim que o nome de Lulinha veio à tona no escândalo.
O empresário, ainda de acordo com as fontes, insistiu em dizer que não possui qualquer vínculo com os desvios. Mas o presidente teria devolvido as justificativas do filho com a mesma frase que já disse publicamente: se houver envolvimento, será investigado.
Os relatos da conversa são corriqueiramente utilizados para rebater questionamentos sobre o impacto do caso na popularidade de Lula, em plena largada da pré-campanha eleitoral.
Líderes petistas jogam no colo do filho do presidente ao menos boa parte do desgaste ostentado nas pesquisas. E também culpam o empresário pelo fortalecimento de Flávio Bolsonaro nos levantamentos.
Há forte cobrança interna por um “contra-ataque”. Até agora, a orientação tem sido evitar abordar o assunto, mesmo que para responder a críticas da oposição.
O governo vem tentando, sem muito sucesso, resgatar uma agenda positiva na mídia. Mas o plano desenhado pelo ministro Sidônio Palmeira, da Secom, tem provocado incômodo na legenda.
Parte dos líderes ouvidos defende que Lula suba o tom dos ataques a Flávio Bolsonaro. Há uma ala próxima ao presidente que diz acreditar que mais vale retomar desde já episódios como as denúncias de rachadinha no gabinete do senador, para fazer frente aos movimentos da oposição. Alguns petistas já começaram a veicular conteúdo sobre o assunto nas redes sociais.
Nesta segunda-feira, a defesa de Lulinha admitiu ao STF (Supremo Tribunal Federal) que teve uma viagem a Portugal custeada por Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Ainda assim, o empresário negou ter cometido qualquer tipo de irregularidade.
A notícia já havia sido antecipada pelo jornal O Estado de S. Paulo. À época, os advogados insistiram que só se pronunciariam nos autos.
A torcida no PT e no governo, neste momento, é para que não surjam fatos novos relacionados ao assunto. Se as menções a Lulinha pararem por aí, a defesa do empresário e líderes petistas devem investir na tese de que tudo não passa de uma “perseguição política”, com motivação eleitoral.

Descrição Jornalista
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