Automóveis 03/10/2026 09:55
Carros elétricos e híbridos devem superar 70% das vendas de veículos leves no Brasil até 2035, aponta relatório

Segundo reportagem publicada pela Automotive Business em 24 de setembro de 2026, os veículos eletrificados devem superar 70% das vendas de modelos leves no Brasil até 2035. A projeção integra o Relatório de Tendências da trilha Mobility Now, elaborado pela Accenture a partir dos debates realizados na jornada de conteúdo do #ABX26.
Além da eletrificação, o documento aponta novas transformações ligadas à conectividade, automação veicular, mobilidade compartilhada e circularidade.
A projeção indica uma transformação expressiva no mercado automotivo brasileiro durante os próximos anos. Até 2035, mais de sete em cada dez veículos leves vendidos no país poderão ser eletrificados.
O avanço já aparece no lançamento de novos modelos. Recentemente, a Roberta Souza mostrou no CPG a chegada do GWM Haval H7 ao Brasil com sistema híbrido plug-in e 364 cv. O modelo amplia a quantidade de opções eletrificadas disponíveis no país.
Além disso, fabricantes chinesas ganharam espaço rapidamente no mercado brasileiro. Esse movimento aumenta a concorrência e pressiona montadoras tradicionais a acelerar suas estratégias de eletrificação.
Segundo o relatório, a eletrificação aparece como uma das transformações mais avançadas da mobilidade. Contudo, essa mudança representa apenas uma parte da evolução esperada para o setor.
Com os eletrificados cada vez mais presentes, conectividade e automação veicular devem formar uma nova onda de transformação. Dessa forma, os veículos poderão incorporar ainda mais serviços digitais e tecnologias de assistência.
A conectividade também poderá ampliar a geração de valor durante toda a vida útil do automóvel. Nesse cenário, o veículo passa a integrar um ecossistema de serviços digitais.
Esse ecossistema poderá envolver serviços relacionados a estacionamentos, pedágios, seguros e manutenção. Portanto, a relação entre consumidor, veículo e fabricante tende a continuar mesmo depois da venda.
A integração digital também cria oportunidades para montadoras, fornecedores e prestadores de serviços. Ao mesmo tempo, as empresas precisarão desenvolver maneiras de transformar recursos digitais em soluções relevantes para os motoristas.
Os dados gerados pelos veículos poderão assumir um papel importante nesse processo. Assim, fabricantes terão a possibilidade de criar novos serviços relacionados ao uso e à manutenção dos automóveis.
Além disso, a automação veicular deverá ganhar escala. Segundo a prévia do relatório, essas tecnologias podem chegar a todos os segmentos de veículos leves.
O movimento deverá receber impulso da regulação e da procura por recursos relacionados à segurança. Além disso, conforto e conveniência também devem estimular a adoção dessas tecnologias.
O crescimento da frota eletrificada também aumenta a importância da infraestrutura necessária para atender esses veículos. Nesse sentido, o Brasil já registra uma expansão acelerada da rede de carregamento.
Recentemente, o Brasil chegou perto de 30 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga. A rede alcançou 29.896 pontos em agosto de 2026, após crescer 77% em um ano.
Além disso, quase 2 mil municípios brasileiros já contam com eletropostos. Portanto, a expansão da infraestrutura ocorre ao mesmo tempo em que fabricantes aumentam a oferta de modelos elétricos e híbridos plug-in.
Esse avanço também chega às residências. O CPG mostrou que a procura por carregadores de carros elétricos em condomínios cresceu 80%. Assim, a eletrificação começa a transformar também garagens e instalações elétricas residenciais.
A transformação prevista para 2035 ocorre enquanto novas fabricantes conquistam participação no Brasil. Entre elas, as marcas chinesas apresentam alguns dos avanços mais expressivos.
Em agosto, a Roberta Souza mostrou que a BYD aumentou em 71% suas vendas internacionais no primeiro semestre de 2026. Além disso, o Brasil ganhou importância dentro da estratégia global da fabricante.
Já no mercado brasileiro, a expansão de BYD, GWM, Geely e outras fabricantes chinesas também alterou a participação das marcas tradicionais. Esse movimento reforça a velocidade das mudanças no setor.
Ao mesmo tempo, os preços começam a atingir faixas mais acessíveis. Confira sete carros 100% elétricos vendidos no Brasil já possuem versões de até R$ 150 mil.
Outra transformação apontada pelo relatório envolve a mobilidade compartilhada. Nesse caso, a mudança deverá ocorrer principalmente entre consumidores mais jovens.
Segundo o estudo, parte desse público demonstra maior abertura para alternativas à propriedade tradicional do automóvel. Dessa maneira, modelos baseados no acesso e no compartilhamento podem conquistar novos usuários.
Entretanto, esse avanço não deverá ocorrer de maneira uniforme em todo o país. A tendência deve ganhar maior força nas regiões metropolitanas.
Nessas áreas, existe maior disponibilidade de serviços e alternativas de transporte. Por isso, modelos compartilhados encontram condições mais favoráveis para crescer.
O relatório também destaca a circularidade como uma transformação importante para o mercado automotivo. Nesse cenário, peças e componentes poderão permanecer por mais tempo dentro da cadeia produtiva.
A maior disponibilidade de peças remanufaturadas pode mudar a dinâmica do pós-venda. Além disso, critérios de classificação por qualidade deverão ganhar importância.
Com isso, o setor poderá ampliar o aproveitamento de componentes durante o ciclo de vida dos veículos. Ao mesmo tempo, novas oportunidades de negócios podem surgir para fabricantes, fornecedores e empresas especializadas.
A projeção de mais de 70% das vendas concentradas em veículos eletrificados mostra a dimensão da transformação esperada para o mercado brasileiro.
Entretanto, a mudança não envolve apenas substituir motores a combustão por sistemas elétricos. O relatório aponta uma transformação mais ampla, que combina eletrificação, conectividade, automação, compartilhamento e circularidade.
Além disso, o avanço dependerá da capacidade de fabricantes e fornecedores de acompanhar novas exigências tecnológicas. A infraestrutura e a regulação também terão papel relevante nesse processo.
Assim, até 2035, o consumidor brasileiro poderá encontrar um mercado bastante diferente do atual. Caso a projeção se confirme, os veículos eletrificados deixarão de representar uma alternativa minoritária para ocupar a maior parte das vendas de modelos leves no país.
E você, acredita que elétricos e híbridos realmente conseguirão representar mais de 70% das vendas de carros no Brasil até 2035?

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