O aumento se deve, principalmente, ao reajuste da Petrobras no dia 8 do mês passado. Depois de 11 meses sem mudanças nos preços, a estatal elevou em 7,1% a gasolina vendida pelas refinarias às distribuidoras. Também aumentou em 9,8% o gás de cozinha.
No mês que marca as férias escolares, as passagens aéreas também subiram e ficaram 19% mais caras. Outro fator que puxou a alta do índice geral foi o aumento da conta de luz, com a entrada da bandeira amarela.
Alimentos têm maior queda desde 2017
O que ajudou a segurar o resultado de julho foi a forte queda dos alimentos após nove meses de alta. O grupo Alimentação e bebidas teve retração de 1% nos preços no mês. Trata-se do maior recuo desde agosto de 2017, quando a variação foi de -1,07%.
— Esses três grupos (Transportes, Habitação e Alimentação) ajudam a gente a entender a dinâmica inflacionária do IPCA em julho — resume André Almeida, gerente da pesquisa.
Segundo Almeida, do IBGE, a maior oferta de alimentos – principalmente os de hortifruti – contribuiu para a redução dos preços nas feiras e nos supermercados. Isso se deve às melhores condições climáticas, que permitiu intensificação das safras e da produção.
A alimentação no domicílio teve baixa de 1,5% em julho. Já a alimentação fora do domicílio subiu 0,39%, variação semelhante à do mês anterior. Isso inclui restaurantes e lanches, por exemplo, que embutem no preço das refeições custos com energia, salário etc.
Perspectivas
Economistas projetam que a inflação termine o ano em torno de 4,12%, segundo última pesquisa do Boletim Focus, que reúne projeções de analistas do mercado. Os agentes estão de olho, contudo, no comportamento dos preços para 2025 e na possibilidade de o BC cumprir a meta estabelecida para o ano que vem.
O mercado elevou a expectativa de inflação para 2025 de 3,96 para 3,98%. Em ata, o Banco Central garantiu que não “hesitará” em elevar a taxa básica de juros se considerar apropriado para assegurar a convergência da inflação para a meta de 3%. A meta tem intervalo de tolerância em 1,5 ponto percentual, ou seja, pode variar de 1,5% a 4,5%.


