IA nas eleições: especialista acredita que regras do TSE são insuficientes - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Inteligência Artificial 23/07/2026 07:31

IA nas eleições: especialista acredita que regras do TSE são insuficientes

IA nas eleições: especialista acredita que regras do TSE são insuficientes

A menos de um mês para o início da campanha eleitoral, os candidatos precisam estar atentos às novas regras para o uso da inteligência artificial (IA). Começaram a valer as diretrizes inéditas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que prevê punições rígidas sobre a nova tecnologia.

No entanto, para o consultor de marketing político Marcelo Vitorino, as normas não serão capazes de combater as deep fakes e as fake news que estão por vir.

O especialista conversou com os jornalistas Denise Rothenburg e Carlos Alexandre de Souza nesta quarta-feira (22/7) no programa CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília.

Vitorino entende que, mesmo que as penalidades atinjam os candidatos e as campanhas, não é possível impedir que os eleitores produzam conteúdos criminosos por IA.

“Acredito que o TSE está tentando resolver o problema, mas a medida ainda é insuficiente. A proibição atinge diretamente partidos e candidatos. O problema é que isso não impede outras pessoas de fazerem esse tipo de conteúdo. Os candidatos estão proibidos, mas qualquer cidadão pode produzir e divulgar esse material”, expõe.

Além disso, o consultor lembra que, quando publicado, é quase impossível remover algo da internet. “É como tirar xixi da piscina: não dá. Um vídeo, um áudio ou uma dublagem se espalham muito rapidamente”, avalia.

Para tentar prevenir conteúdos prejudiciais, o TSE determinou que nas 72 horas antes da eleição e nas 24 horas depois das eleições, as campanhas não poderão impulsionar conteúdos nem publicar materiais produzidos com inteligência artificial. Vitorino acredita que essa medida pode prejudicar o candidato no momento mais crítico da disputa.

“As campanhas ficam sem condições de reagir com isso. Se um eleitor divulgar um vídeo difamatório, a campanha terá pouca capacidade de resposta, porque o horário eleitoral já terminou e não poderá recorrer ao impulsionamento nas redes”, analisa.

Marcelo avalia que a imprensa tem um papel fundamental para combater esse tipo de violação.

“A televisão, o rádio, os jornais e a mídia tradicional precisam funcionar como elementos de validação da informação. Hoje, qualquer coisa pode circular na internet. Eu utilizo inteligência artificial diariamente e, mesmo assim, muitas vezes tenho dificuldade para distinguir o que é verdadeiro do que é falso. O eleitor precisará recorrer à imprensa profissional, às pesquisas e, principalmente, buscar informações de qualidade”, afirma.

No entanto, o consultor entende que o eleitor também tem responsabilidade na divulgação de informações falsas. “O boato só ganha força quando encontra alguém disposto a acreditar e compartilhá-lo”, reflete.

Ele relembra que os meios de comunicação de propagação de fake news também estão mudando. Em 2018, o WhatsApp foi o principal meio para a “guerrilha digital” e a desinformação.

Segundo Vitorino, o canal perdeu a força em 2022, devido às mudanças na ferramenta. “Hoje, é preciso ficar atento ao Instagram e ao Facebook, além de redes às quais muitos políticos ainda dão pouca atenção, como TikTok e Kwai. A dificuldade de identificar se um vídeo é verdadeiro ou produzido por inteligência artificial é enorme”, enfatiza.

Apesar disso, ele ressalta que a inteligência artificial tem um lado muito positivo.

“Imagine reunir todas as entrevistas que um político concedeu ao longo da vida, transcrevê-las e fazer uma análise completa desse material. Imagina pegar um plano de governo difícil de entender e usar uma IA para interpretá-lo. Sem IA, isso levaria um tempo enorme”, comenta.

Assista ao programa na íntegra

Deu no Correio Braziliense

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista