Enquanto o país cobra respostas, ministros do STF são flagrados em momento de pura descontração
Existe algo particularmente irritante em ver quem deveria prestar contas à sociedade rindo como se nada estivesse acontecendo. E foi exatamente esse o espetáculo oferecido nos corredores do Supremo Tribunal Federal nesta quarta-feira, 2 de setembro de 2026.
Uma fotografia captada pelo jornalista Brenno Carvalho, do jornal O Globo, registrou Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes em um momento de bate-papo descontraído, com sorrisos largos que contrastam de forma quase obscena com a gravidade da crise que assola o tribunal.
De costas na imagem, há ainda uma quarta autoridade cuja aparência é compatível com a do presidente do STF, Edson Fachin. À noite, a fotografia já tinha viralizado nas redes sociais, gerando uma onda de indignação.
O deboche tem rosto — e sorri para a câmera
É claro que uma fotografia, isoladamente, não revela o conteúdo de uma conversa. Não é possível, tecnicamente, atribuir sentimentos a quem aparece na imagem.
Mas o contexto fala por si — e grita. O registro ganha outro significado quando se consideram as informações que envolvem Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Dados extraídos pela Polícia Federal do celular de Vorcaro revelaram mensagens em que o banqueiro procurava Moraes para tentar obter auxílio diante das investigações sobre o Banco Master.
Em uma das conversas, Vorcaro perguntou ao ministro se seria possível acionar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Rir diante disso parece, no mínimo, uma provocação.
R$ 131,2 milhões e um contrato que ninguém explica
Como se as mensagens não bastassem, vieram a público informações sobre um contrato de R$ 131,2 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
O caso ampliou os questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse e sobre a relação entre o magistrado e o banqueiro. O volume do contrato, por si só, já mereceria explicações detalhadas. Até agora, o que se ouve é silêncio — ou risos.

