Censura 22/09/2025 11:47
Fernando Schüler desafia Barroso e aponta dez episódios de censura no Brasil

O cientista político Fernando Schüler reagiu às declarações do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante a semana, o magistrado afirmou que “no Brasil não existe censura”. A resposta veio neste sábado, 20, em um artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo.
Schüler afirmou ter respeito por Barroso, mas destacou em tom crítico:
“Listo dez casos de censura, no Brasil dos últimos anos. Se eles não existirem, está tudo bem. Mas se eles forem reais, quem sabe vale refletir sobre o que vem se passando, afinal, em nossa democracia”.
O primeiro caso lembrado por Schüler é o inquérito de 2019 que resultou na tentativa de censurar a revista Crusoé e o site O Antagonista. Em seguida, mencionou a suspensão da conta do Partido da Causa Operária (PCO) após críticas ao STF publicadas no Twitter.
Outro episódio citado foi a remoção de uma postagem do professor Marcos Cintra, que levantava questionamentos sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas. No quarto exemplo, ele recorda o caso do deputado Homero Marchese, impedido de divulgar um protesto realizado em Nova York.
O cientista político também destacou o bloqueio de mensagens em grupos privados de WhatsApp, incluindo sanções contra o empresário Luciano Hang.
Na sequência, mencionou o caso do apresentador Monark:
“Primeiro, censurado por achar que mesmo um partido nazista deveria ter direito à expressão. Princípio elementar da Primeira Emenda Americana. Crime? Foi censurado ainda uma segunda vez por críticas ao STF. Ameaça nenhuma, apenas uma opinião ácida. Dessas a que estão sujeitos os que ocupam funções públicas”, escreveu Schüler.
Outros episódios lembrados foram a censura prévia a um documentário sobre o atentado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o indiciamento do deputado Marcel Van Hatten por falas em plenário, a retirada de conteúdos relacionados ao PL das Fake News e as ordens de desmonetização de veículos de imprensa, mesmo quando constatado que publicavam apenas reportagens jornalísticas.
Para Schüler, a democracia deve abranger também opiniões incômodas:
“Desde que o mundo é mundo, liberdade de expressão é para ideias desagradáveis e controversas”, afirmou.
Ele concluiu que limitar críticas ao poder transforma a democracia em “café com leite” e que muitos cidadãos tiveram seus direitos violados, o que, segundo ele, “jamais deveria acontecer em nossa democracia”.

Descrição Jornalista
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