O governo dos Estados Unidos avalia impor novamente sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o Financial Times.
De acordo com o jornal, a medida ganhou força após Moraes determinar operações de busca e apreensão relacionadas à investigação sobre a origem de informações usadas em reportagens do jornalista Luís Pablo, do Maranhão.
Segundo o Financial Times, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seu filho Flávio Bolsonaro já vinham pressionando integrantes do governo Donald Trump pela retomada das medidas contra Moraes.
Entre os defensores da iniciativa estão Paulo Figueiredo e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Possíveis sanções
Uma eventual nova punição poderia ser aplicada com base na Lei Magnitsky, usada pelos Estados Unidos contra Moraes no ano passado.
As medidas incluíam restrições de entrada no país, congelamento de bens e bloqueio de transações financeiras e comerciais.
As sanções foram retiradas em dezembro. Na ocasião, Moraes agradeceu ao presidente Lula (PT) pelo empenho na derrubada das medidas.
A nova discussão ocorre após a decisão de Moraes que autorizou buscas relacionadas ao caso envolvendo o jornalista maranhense.
O ministro alegou que as informações usadas na reportagem teriam sido obtidas e divulgadas ilegalmente e poderiam colocar em risco sua segurança e a de familiares.
Relação entre EUA e Brasil
A possível retomada das sanções ocorre em um momento de forte desgaste entre os dois governos. Além das divergências em torno de Moraes, Brasil e Estados Unidos enfrentam conflitos comerciais e diplomáticos.
O governo Trump impôs tarifas sobre produtos brasileiros e também classificou o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Outro impasse envolve a indicação de Daniel Perez para a embaixada dos Estados Unidos em Brasília, ainda sem o aval formal do governo brasileiro.
Neste domingo, Sarah B. Rogers, subsecretária de Diplomacia Pública do Departamento de Estado dos EUA, também comentou mudanças no algoritmo da rede social X relacionadas às eleições brasileiras.
“Esse tipo de transparência algorítmica é exatamente o que muitos reguladores dizem querer. Também sinaliza uma censura imposta pelo Brasil”, escreveu.

