Estudo encontra 600 vírus diferentes em chuveiros e escovas de dente - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Saúde 11/10/2024 12:07

Estudo encontra 600 vírus diferentes em chuveiros e escovas de dente

Por mais assustadora que a existência de tantos microrganismos em objetos do dia a dia possa parecer, sua presença não oferece riscos à saúde humana. Entenda por quê

Estudo encontra 600 vírus diferentes em chuveiros e escovas de dente

Um novo estudo liderado por cientistas da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, mostrou que objetos típicos de nossos banheiros, como chuveiros e escovas de dente podem estar repletos de uma coleção extremamente diversa de vírus.

Por mais ameaçador que isso possa parecer, esses agentes não são prejudiciais aos seres humanos – pelo contrário, eles podem até ser a chave no combate a algumas infecções bacterianas.

Os micróbios analisados pertencem ao grupo dos bacteriófagos, um tipo de vírus que infecta e se replica dentro de bactérias.

Embora os pesquisadores ainda saibam pouco sobre esses agentes patológicos, eles recentemente atraíram atenção da comunidade científica por seu potencial uso no tratamento superbactérias.

A iniciativa é um desdobramento direto de pesquisas anteriores nas quais a engenheira ambiental Erica Hartmann e sua equipe caracterizaram microrganismos nativos de escovas de dentes e chuveiros.

O projeto, apelidado de “Operação Boca de Vaso” — sim, um nome sugestivo –, foi inspirado pela preocupação de que um vaso sanitário com descarga pudesse gerar uma nuvem de partículas de aerossol a outros objetos do banheiro.

“Queríamos saber quais micróbios vivem em nossas casas. Se você pensar em ambientes internos, superfícies como mesas e paredes são realmente difíceis para os micróbios viverem, eles preferem ambientes úmidos. E onde há água? Dentro de nossos chuveiros e em nossas escovas de dente”, explica Hartmann, em comunicado.

Por isso, o estudo recolheu escovas de dentes usadas e amostras de chuveiro, coletadas com a ajuda de cotonetes.

Vírus possivelmente aliados

Com as amostras em mãos, a equipe de pesquisa utilizou da técnica de sequenciamento de DNA para examinar os vírus presentes nas escovas de dentes e chuveiros. Mais de 600 vírus diferentes foram identificados.

Os resultados deixaram todos impressionados e renderam até a publicação de um artigo, no jornal científico Frontiers in Microbiomes, na última terça-feira (8).

“Não encontramos praticamente nenhuma sobreposição nos tipos de vírus entre chuveiros e escovas de dente”, lembra Hartmann.

“Também vimos muito pouca sobreposição entre quaisquer duas amostras. Cada chuveiro e cada escova de dente são como sua própria pequena ilha. Isso apenas ressalta a incrível diversidade de vírus que existem por aí”.

A maioria dos dentistas concorda que você deve trocar sua escova dental a cada três meses ou quando as cerdas deformarem — Foto: Pexels
A maioria dos dentistas concorda que você deve trocar sua escova dental a cada três meses ou quando as cerdas deformarem — Foto: Pexels

Embora tenham encontrado poucos padrões entre todas as amostras, os cientistas notaram a prevalência de mais micobacteriófagos do que outros tipos de vírus.

Esses organismos são conhecidos por infectar microbactérias, um tipo de bactéria que causa doenças como lepra, tuberculose e infecções pulmonares crônicas em seres humanos.

Hartmann imagina que, no futuro, o conhecimento sobre esses agentes poderá ser aproveitado para se utilizar os micobacteriófagos no tratamento dessas graves infecções.

“Queremos olhar para todas as funções que esses vírus podem ter e descobrir como podemos usá-los”, destaca.

Como limpar seus objetos

Até lá, no entanto, a equipe alerta as pessoas para não se preocuparem com a vida selvagem invisível que vive em seus banheiros.

Mais do que isso, os cientistas recomendam fazer a limpeza dos chuveiros apenas com vinagre ou sabão comum, para retirada a do acúmulo de cálcio, sem eliminar completamente a presença desses micróbios.

“Os microrganismos estão por toda parte, e a grande maioria deles não nos deixará doentes”, reitera a líder do projeto.

“Quanto mais você ataca vírus e bactérias com desinfetantes, mais eles provavelmente desenvolverão resistência ou se tornarão mais difíceis de tratar”.

Deu em Galileu

Ricardo Rosado de Holanda
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