Estudo descobre 40 mil novos vírus em metrô, bancos, hospitais e esgoto - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Vírus 25/08/2026 17:16

Estudo descobre 40 mil novos vírus em metrô, bancos, hospitais e esgoto

Estudo descobre 40 mil novos vírus em metrô, bancos, hospitais e esgoto

Um estudo em escala global revelou a existência de mais de 42 mil novos vírus até então completamente desconhecidos pela ciência que circulam em ambientes urbanos como metrôs, bancos, hospitais e redes de esgoto. A descoberta foi detalhada em um artigo publicado em julho na revista Nature Communications.

O levantamento analisou 2.922 amostras biológicas colhidas em 102 cidades de 31 países, incluindo São Paulo. Os pesquisadores consolidaram o Atlas de Vírus de RNA Urbanos e Periurbanos.

Eles catalogaram 54.945 espécies de vírus de RNA — grupo que engloba patógenos conhecidos como os causadores da dengue, zika, gripe, febre amarela e COVID-19. 

Do total, cerca de 77% dessas espécies, número que representa mais de 42 mil vírusnunca tinham sido descritas pela ciência. 

Como os vírus foram coletados?

A maior parte do material analisado, 1.862 amostras, foi coletada pelo internacional MetaSUB entre março e julho de 2020. O período ficou marcado pela auge da pandemia de COVID-19.

O método consistiu na utilização de cotonetes estéreis (swabs) esfregados em superfícies de contato constante e frequente da população, como corrimãos de escadas, bancos de praças e estações e máquinas de bilhetes de transporte público. 

Para além das superfícies urbanas, o estudo incorporou sequências extraídas de bancos de dados públicos que cobrem áreas do entorno das cidades, incluindo solo, sedimentos, água doce, estufas agrícolas e redes de esgoto. 

Todo o material passou pelo sequenciamento por metatranscriptômica. A técnica consiste na extração e decodificação simultânea do RNA de todos os organismos presentes na amostra como vírus, bactérias, fungos e insetos. Assim, não há necessidade de isolá-los individualmente.

Os cientistas alertam, no entanto, que os quase 55 mil vírus catalogados são apenas a “ponta do iceberg”. Eles indicam que novas coletas devem revelar milhares de outras espécies inéditas.

A população está em risco?

Apesar do imapcto que os números trazem, os pesquisadores afirmam que a descoberta não sinaliza uma ameaça sanitária para a população urbana. Segundo eles, a maioria dos novos vírus identificados é incapaz de infectar seres humanos. 

Do total mapeado, foi possível estimar o hospedeiro de apenas um terço das sequências. Desse grupo, mais da metade é composta por bacteriófagos, vírus que infectam e destroem exclusivamente bactérias, sendo inofensivos para células humanas e de outros animais. 

Após o cruzamento com o banco de daos global VIRON, foi constatado que 60 vírus tem probabilidade de infectar seres humanos e, desse grupo, apenas 19 foram coletados em superfícies urbanas. 

Cautela com dados

O relatório do estudo apontou que amostras coletadas em hospitais de São Paulo e de Islamabad (Paquistão) apresentaram uma presença maior de vírus de famílias patogênicas para animais vertebrados quando comparadas a hospitais de Seul (Coreia do Sul) e Baltimor (Estados Unidos).

No entanto, Antônio Pedro Carmago, professor do Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da USP (Universidade de São Paulo) e um dos autores do estudo, destaca que é preciso de cautela na interpretação dos dados. 

“É muito difícil inferir qualquer explicação biológica a partir disso. Pode ser só amostragem”, alerta. O próprio artigo científico pondera que, em certos países, apenas um tipo específico de ambiente foi analisado, o que limita conclusões comparativas geográficas diretas.

Deu em CNN

*Com informações da Agência Fapesp 

Ricardo Rosado de Holanda
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Descrição Jornalista