A companhia afirmou que esse cenário reduziu significativamente as vendas e comprometeu o caixa do grupo. A tentativa de renegociar dívidas com credores da Tok&Stok não foi suficiente para conter o agravamento do endividamento.
“Apesar dos esforços empregados pela administração na negociação da reestruturação do endividamento junto aos credores da controlada Tok&Stok, o alto endividamento do grupo persiste e vem se agravando”, afirmou a empresa em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Tentativas anteriores de recuperação fracassaram
Antes de recorrer à recuperação judicial, o grupo já havia tentado reorganizar suas finanças. Em 2023, a Tok&Stok renegociou cerca de R$ 339 milhões em dívidas bancárias, firmou um acordo de reestruturação tecnológica com a Domus Aurea e recebeu um aporte de R$ 100 milhões dos acionistas. Contudo, a recuperação não avançou conforme o esperado.
Desde então, alternativas como a recuperação extrajudicial foram exploradas sem sucesso, levando o grupo a optar pela via judicial como último recurso para preservar suas operações.
Pedido cita ‘risco de dano irreparável’ e bloqueio de R$ 77 milhões
No documento protocolado na Justiça paulista, o Grupo Toky solicitou medidas urgentes para evitar o colapso das operações, alegando “risco de dano irreparável” nas atividades da companhia.
Entre os pedidos mais urgentes está a liberação imediata de aproximadamente R$ 77 milhões em valores referentes a vendas realizadas no cartão de crédito, atualmente retidos pela SRM Bank. Segundo o grupo, esse bloqueio comprometeu gravemente o caixa e colocou em risco pagamentos essenciais, como os salários de mais de 2 mil funcionários.
A companhia também requereu a suspensão, por 180 dias, de todas as cobranças e ações judiciais relacionadas a dívidas — o chamado “stay period” — enquanto busca renegociar os débitos com seus credores.
Manutenção de contratos essenciais
Outro ponto central do pedido é a garantia de continuidade dos contratos e serviços considerados indispensáveis ao funcionamento do grupo. A empresa quer impedir interrupções em áreas como:
- Operações de logística e transporte
- Sistemas digitais e computação em nuvem
- Fornecimento de energia elétrica
- Abastecimento de água
O processo menciona como credores e parceiros diversas instituições financeiras, empresas de tecnologia, operadores logísticos e concessionárias de serviços essenciais.
Movimentações societárias às vésperas do pedido
Antes mesmo do anúncio da recuperação judicial, o grupo já dava sinais de turbulência. Na segunda-feira (11), a empresa informou que quatro fundos da gestora SPX Capital estão em fase avançada de negociações para vender toda a sua participação na companhia, incluindo ações e bônus de subscrição.
Ainda em meio a essas tratativas, dois conselheiros de administração deixaram seus cargos: Fernando Porfirio Borges e Felipe Fonseca Pereira, conforme comunicados divulgados pela empresa.
O que é recuperação judicial
A recuperação judicial é um mecanismo legal pelo qual uma empresa em dificuldades financeiras solicita proteção à Justiça para renegociar suas dívidas e evitar a falência. Durante o processo, a companhia continua funcionando normalmente enquanto negocia com seus credores.
Quem é o Grupo Toky
O Grupo Toky nasceu em 2024, resultado da fusão entre a Mobly e a Tok&Stok, duas marcas tradicionais do setor de móveis e decoração no Brasil. A união criou um dos maiores grupos de varejo de casa e decoração da América Latina, com operações físicas e digitais integradas.
A Mobly foi fundada em 2011 por Victor Pereira Noda, Marcelo Rodrigues Marques e Mário Carlos Fernandes Filho, com foco inicial em vendas online de móveis e itens de decoração. Com investimentos da Rocket Internet, a empresa expandiu para o varejo físico e conta hoje com 11 unidades entre megastores, outlets e lojas compactas.
Já a Tok&Stok tem uma trajetória mais longa: foi fundada em 1978 pelos franceses Régis e Ghislaine Dubrule. A marca se consolidou no mercado brasileiro apostando em móveis modernos, modulares e acessíveis, acompanhando a expansão da classe média urbana e o crescimento do mercado de apartamentos no país.
O grupo ainda reúne a marca Guldi, voltada ao segmento de colchões e produtos de conforto.


