Crise no varejo: Grupo Toky, dono da Tok&Stok e Mobly, pede recuperação judicial com dívida de R$ 1,1 bilhão - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
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Comércio 12/05/2026 17:31

Crise no varejo: Grupo Toky, dono da Tok&Stok e Mobly, pede recuperação judicial com dívida de R$ 1,1 bilhão

Crise no varejo: Grupo Toky, dono da Tok&Stok e Mobly, pede recuperação judicial com dívida de R$ 1,1 bilhão

Gigante do setor de móveis e decoração enfrenta colapso financeiro e recorre à Justiça para evitar falência

Com uma dívida acumulada de cerca de R$ 1,1 bilhão, o Grupo Toky — controlador das marcas  e Mobly — formalizou nesta terça-feira (12) um pedido de recuperação judicial junto à Justiça de São Paulo. O caso tramita sob segredo de justiça e evidencia mais um capítulo da  brasileiro, especialmente no segmento de móveis e decoração.

Dificuldades acumuladas desde a pandemia

Na petição apresentada ao Judiciário, o Grupo Toky relata que os problemas financeiros remontam à pandemia de Covid-19, quando a empresa fechou mais de 17 lojas. De lá para cá, fatores como  elevados, inflação persistente,  mais restrito ao consumidor e a retração na compra de bens duráveis — incluindo móveis — aprofundaram a crise do setor.

A companhia afirmou que esse cenário reduziu significativamente as vendas e comprometeu o caixa do grupo. A tentativa de renegociar dívidas com credores da Tok&Stok não foi suficiente para conter o agravamento do .

“Apesar dos esforços empregados pela administração na negociação da reestruturação do endividamento junto aos credores da controlada Tok&Stok, o alto endividamento do grupo persiste e vem se agravando”, afirmou a empresa em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Tentativas anteriores de recuperação fracassaram

Antes de recorrer à recuperação judicial, o grupo já havia tentado reorganizar suas finanças. Em 2023, a Tok&Stok renegociou cerca de R$ 339 milhões em dívidas bancárias, firmou um acordo de reestruturação tecnológica com a Domus Aurea e recebeu um aporte de R$ 100 milhões dos acionistas. Contudo, a recuperação não avançou conforme o esperado.

Desde então, alternativas como a recuperação extrajudicial foram exploradas sem sucesso, levando o grupo a optar pela via judicial como último recurso para preservar suas operações.

Pedido cita ‘risco de dano irreparável’ e bloqueio de R$ 77 milhões

No documento protocolado na Justiça paulista, o Grupo Toky solicitou medidas urgentes para evitar o colapso das operações, alegando “risco de dano irreparável” nas atividades da companhia.

Entre os pedidos mais urgentes está a liberação imediata de aproximadamente R$ 77 milhões em valores referentes a vendas realizadas no cartão de crédito, atualmente retidos pela SRM Bank. Segundo o grupo, esse bloqueio comprometeu gravemente o caixa e colocou em risco pagamentos essenciais, como os salários de mais de 2 mil funcionários.

A companhia também requereu a suspensão, por 180 dias, de todas as cobranças e ações judiciais relacionadas a dívidas — o chamado “stay period” — enquanto busca renegociar os débitos com seus credores.

Manutenção de contratos essenciais

Outro ponto central do pedido é a garantia de continuidade dos contratos e serviços considerados indispensáveis ao funcionamento do grupo. A empresa quer impedir interrupções em áreas como:

  • Operações de logística e transporte
  • Sistemas digitais e computação em nuvem
  • Fornecimento de energia elétrica
  • Abastecimento de água

O processo menciona como credores e parceiros diversas instituições financeiras, empresas de tecnologia, operadores logísticos e concessionárias de serviços essenciais.

Movimentações societárias às vésperas do pedido

Antes mesmo do anúncio da recuperação judicial, o grupo já dava sinais de turbulência. Na segunda-feira (11), a empresa informou que quatro fundos da gestora SPX Capital estão em fase avançada de negociações para vender toda a sua participação na companhia, incluindo ações e bônus de subscrição.

Ainda em meio a essas tratativas, dois conselheiros de administração deixaram seus cargos: Fernando Porfirio Borges e Felipe Fonseca Pereira, conforme comunicados divulgados pela empresa.

O que é recuperação judicial

recuperação judicial é um mecanismo legal pelo qual uma empresa em dificuldades financeiras solicita proteção à Justiça para renegociar suas dívidas e evitar a falência. Durante o processo, a companhia continua funcionando normalmente enquanto negocia com seus credores.

Quem é o Grupo Toky

Grupo Toky nasceu em 2024, resultado da fusão entre a Mobly e a Tok&Stok, duas marcas tradicionais do setor de móveis e decoração no Brasil. A união criou um dos maiores grupos de varejo de casa e decoração da América Latina, com operações físicas e digitais integradas.

Mobly foi fundada em 2011 por Victor Pereira Noda, Marcelo Rodrigues Marques e Mário Carlos Fernandes Filho, com foco inicial em vendas online de móveis e itens de decoração. Com investimentos da Rocket Internet, a empresa expandiu para o varejo físico e conta hoje com 11 unidades entre megastores, outlets e lojas compactas.

Já a Tok&Stok tem uma trajetória mais longa: foi fundada em 1978 pelos franceses Régis e Ghislaine Dubrule. A marca se consolidou no mercado brasileiro apostando em móveis modernos, modulares e acessíveis, acompanhando a expansão da classe média urbana e o crescimento do mercado de apartamentos no país.

O grupo ainda reúne a marca Guldi, voltada ao segmento de colchões e produtos de conforto.

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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