Corrupção 21/12/2025 11:05
CPMI do INSS: governo blindou 5 alvos da nova fase da Sem Desconto

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS blindou pelo menos cinco investigados da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nessa quinta-feira (12/9), de serem convocados a prestar esclarecimentos ao colegiado nos últimos meses.
O levantamento da coluna levou em conta a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação da PF, além de notas taquigráficas das sessões do colegiado e requerimentos rejeitados ou não votados ainda pela CPMI.
São eles: o senador Weverton Rocha (PDT); o braço-direito dele, Gustavo Marques Gaspa; o então número 2 do Ministério da Previdência, Adroaldo Portal; a empresária Roberta Luchsinger, amiga do Lulinha; a ex-publicitária das campanhas do PT e sócia do Careca do INSS em Portugal, Danielle Miranda Fonteles.
De forma resumida, a estratégia de integrantes da CPMI para blindar alguns alvos, se baseou em duas formas. Rejeição de requerimentos de convocação e rejeição de quebra de sigilos de movimentações financeiras por terem maioria no colegiado. Acordos por retirada de pauta da votação dos ofícios, como forma de protelar as investigações, também foi outra estratégia utilizada.
O presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana (Podemos-MG), aproveitou a operação da PF dessa quinta-feira para criticar e culpar a base governista do colegiado pelas blindagens de algumas pessoas que foram alvos dessa quinta-feira. O político citou, por exemplo, o caso da convocação de Adroaldo Portal e de Gustavo Marques Gaspar.
A base governista reagiu. O deputado federal Paulo Pimental (PT-MG) afirmou à coluna que “na medida que existem elementos que justifiquem a investigação, ninguém será protegido”. Por fim, rebateu o político mineiro.
“Eu não vou passar a mão na cabeça de ninguém. Na medida que existem elementos que justifiquem a investigação, ninguém será protegido. Não importa se é pastor da igreja do presidente da CPMI, parente ou de assessor de alguém, ninguém será blindado. Se o Presidente da CPMI tinha essas informações, nunca chegou até nós. Meu objetivo é chegar nos culpados, doa a quem doer”.
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República, não figura nesse levantamento da reportagem porque ele não foi alvo da PF nessa quinta-feira. O mesmo aconteceu com o Frei Chico. O irmão do petista é vice-presidente de sindicato investigado por fraudes na Previdência.
Em relação ao Lulinha, a oposição na CPMI do INSS chegou a protocolar requerimento de convocação dele, rejeitado em votação na última sessão do colegiado, em 4 de dezembro, marcada por bate-boca entre parlamentares da base e da oposição.
O presidente da República, por sua vez, reagiu à operação e defendeu que todas as pessoas envolvidas na fraude do INSS seja investigada. “Muitas das coisas estão em segredo de Estado. Já li notícias e tenho dito para ministros e à CPI que é importante ter seriedade, que se possa investigar todas as pessoas envolvidas. Ninguém ficará livre. Se tiver filho meu envolvido nisso, ele será investigado“, declarou em conversa com jornalistas no Palácio do Planalto.

Descrição Jornalista
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