Saúde 24/04/2024 16:29
Cientistas atacam bactérias causadoras do cecê em estudo “in vitro”
Pesquisadores do Japão desenvolveram método específico contra a "Staphylococcus hominis", que está presente na pele das axilas e é causadora do mau cheiro

A ciência sabe que o cecê — aquele cheirinho inconveniente nas axilas — é causado por microrganismos que vivem na pele dessa região.
Mas será que é possível se livrar dele ao ponto de nunca mais precisarmos usar desodorante?
Foi o que investigaram pesquisadores do Japão, em um estudo publicado no último dua 18 de abril no Journal of Investigative Dermatology.
Os cientistas coletaram amostras de fluidos corporais das axilas de 20 homens saudáveis, sendo que 11 deles apresentavam forte odor de suor.
Ao analisar as amostras, a equipe se concentrou na matéria produzida a partir do metabolismo bacteriano e no DNA da microflora da pele.
Nos homens que tinham mais cecê, os pesquisadores encontraram mais precursores causadores de odor, além da proliferação da bactéria Staphylococcus hominis.
Em seguida, a equipe sintetizou lisina, uma enzima capaz de quebrar a parede celular de certas bactérias, a partir de um vírus que ataca especificamente bactérias S. hominis.
Com experimentos in vitro, os estudiosos identificaram que a lisina ataca apenas essa bactéria, não afetando as outras que habitam a pele.
“Realizamos uma análise metagenômica em larga escala da microflora da pele usando o supercomputador SHIROKANE na Universidade de Tóquio e descobrimos que S. hominis é importante no desenvolvimento do odor”, diz Miho Uematsu, professora assistente do Departamento de Imunologia e Genômica da Universidade Metropolitana de Osaka, em comunicado.
Essa descoberta pode abrir caminho para novas terapias contra o odor das axilas.
Esse cheiro é produzido por bactérias que metabolizam o suor das glândulas apócrinas da pele, e os odores variam entre as pessoas.
Apesar do uso de desodorantes, essa pesquisa sugere a possibilidade de eliminar as bactérias causadoras.
“Embora muitos pacientes sofram de odores axilares, existem poucas opções de tratamento. Acreditamos que esse estudo levará a uma nova terapia”, explica Miki Watanabe, do Departamento de Imunologia e Genômica e do Departamento de Dermatologia da Universidade Metropolitana de Osaka.

Descrição Jornalista
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