Animais 21/10/2024 14:40
Biodiversidade de espécies selvagens diminuiu 73% desde 1970, diz relatório
ONG aponta que alguns ecossistemas, como a Floresta Amazônica, já estão próximos de seu ponto de inflexão. Quando ele for atingido, as consequências das mudanças climáticas serão irreversíveis

Um novo relatório feito pela World Wide Fund for Nature (WWF) indica que as populações de espécies animais selvagens monitoradas em todo o mundo despencaram mais de 70% na última metade do século.
Publicado nesta quinta-feira (10), o Índice Planeta Vivo está disponível para download no site da ONG.
Reunindo dados de 35 mil populações, dentre 5.495 espécies de mamíferos, aves, anfíbios, répteis e peixes, o documento compara as tendências desde 1970 até a atualidade. Ele considera o número de grupos, não a quantidade individual de animais.
“O quadro que estamos pintando é incrivelmente preocupante”, afima Kirsten Schuijt, diretora da WWF Internacional, em coletiva de imprensa. Daudi Sumba, responsável pelo setor de conservação da ONG, acrescenta: “Não se trata apenas da vida selvagem, mas dos ecossistemas essenciais que sustentam a vida humana”.
O relatório da WWF reitera a necessidade de enfrentar simultaneamente as “crises interconectadas” das mudanças climáticas e da destruição da natureza.
O risco diz respeito, sobretudo, aos “pontos de inflexão” que se aproximam de certos ecossistemas.
Quando os impactos cumulativos atingem um limiar, a mudança se torna ilimitada e incessante, resultando em uma transformação substancial, abrupta e potencialmente irreversível, com consequências devastadoras para a humanidade, bem como para as outros habitantes do planeta.
Tais pontos de não retorno globais podem ser difíceis de compreender, mas sua aproximação já pode ser vista em níveis local e regional, segundo a WWF. Na Floresta Amazônia, por exemplo, o desmatamento e as alterações climáticas estão causando a redução nas chuvas.
Nesse caso, o ponto de inflexão pode representar a transformação do “sequestrador de carbono em uma fonte de carbono”, como descreve Sumba.
E isso pode estar no horizonte próximo. Estima-se que o ponto de não retorno para o bioma seja alcançado quando o desmatamento atingir entre 20% e 25% do território vegetal; hoje, calcula-se que 14% a 17% da Amazônia já tenha sido desmatada.
De acordo com o relatório, o declínio mais forte foi encontrado nos ecossistemas de água doce (85%), seguido pelo terrestre (69%) e marinho (56%).
A degradação e a perda dos habitats naturais, impulsionadas pelo agronegócio, a poluição, a migração de espécies invasoras e o crescimento da incidência de novas doenças são alguns dos responsáveis por esses desequilíbrios ecológicos.
Embora o estudo aponte quedas acelerados em todo o mundo, com uma diminuição média de 73% no número de vida selvagem, algumas regiões estão piores do que outras.
Na América Latina e no Caribe, áreas conhecidas por sua riqueza em biodiversidade, o número de perdas populacionais chega a 95%. Por sua vez, a África apresentou uma queda de 76% e Ásia-Pacífico de 60%.
A redução populacional foi menor na Europa, na Ásia Central e na América do Norte. Nessas regiões, algumas populações se estabilizaram ou até se expandiram – muito disso graças aos esforços de conservação e à reintrodução de espécies.
O bisão europeu, por exemplo, que desapareceu da natureza em 1927, em 2020, já contava com uma nova população de 6,8 mil exemplares.
Embora tenha avaliado o quadro geral do globo como “incrivelmente preocupante”, Schuijt diz que ainda há esperança de melhora. “As decisões tomadas e as ações realizadas nos próximos cinco anos serão cruciais para o futuro da vida na Terra. O poder e a oportunidade estão em nossas mãos”.
Para a diretora, se os esforços globais seguirem à risca os pactos firmados nas reuniões sobre clima e biodiversidade, será possível proteger até 30% do planeta até 2030, como previsto pelos especialistas. Mas isso exige colocar urgência na pauta.
“Sabemos que a contribuição de cada nação para as crises climáticas é distinta, pois um grupo pequeno de nações é responsável pela maior parte do consumo que gera a degradação ambiental”, destaca Helga Correa, especialista da WWF Brasil, em comunicado.
“Ao mesmo tempo, são as populações que menos contribuem para a crise as mais afetadas. Por isso, é um equívoco imaginarmos que existe solução individual para esses problemas”.

Descrição Jornalista
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