23/04/2019 09:52
Banco Mundial pede pressa ao Brasil para aprovar a reforma da Previdência
O ritmo de crescimento “medíocre” da América Latina e Caribe em 2018, como o chamou o Banco Mundial em seu último relatório, foi fortemente influenciado pela contração de 2,5% na Argentina, o crescimento anêmico do México e a lenta recuperação do Brasil após a recessão de 2015 e 2016.

O ritmo de crescimento “medíocre” da América Latina e Caribe em 2018, como o chamou o Banco Mundial em seu último relatório, foi fortemente influenciado pela contração de 2,5% na Argentina, o crescimento anêmico do México e a lenta recuperação do Brasil após a recessão de 2015 e 2016.
Esses três países – que representam quase três quartos da região – desinflaram as previsões do órgão multilateral, que havia estimado um crescimento de 1,8% para o ano passado que acabou sendo de 0,7%.
Carlos Vegh, economista da entidade responsável pela América Latina e o Caribe, se mostra otimista em relação às medidas econômicas que o Governo de Jair Bolsonaro pretende implementar e defende que realizar a reforma da Previdência enviada ao Congresso “é fundamental” para que o gigante regional se recupere da severa crise econômica em que esteve submerso nos últimos anos.
Vegh assinala dois fatores que prejudicaram o crescimento do Brasil: o déficit fiscal e as aposentadorias.
“Em particular, é muito difícil crescer com um déficit fiscal de 7% do PIB”, diz o economista uruguaio, de 60 anos, ao mesmo tempo em que destaca que no ano passado existiram outros fatores internos – como a Lava Jato – e externos – como o aumento dos preços internacionais e o aumento dos juros da Reserva Federal (FED, o Banco Central dos EUA) –.
A maior potência latino-americana estancou seu crescimento em 1,1% em 2018, ainda que o Banco Mundial projete que irá dobrá-lo nesse ano.
O banco está esperando o plano de ação de Bolsonaro: “Do ponto de vista exclusivamente econômico, acho que o Brasil está se recuperando sem pausa, mas sem pressa. O ministro da Economia, Paulo Guedes, está pensando as coisas de uma maneira positiva ao país”.
O gigante brasileiro é responsável por 40% do PIB regional, de acordo com dados do próprio Banco Mundial com sede em Washington.
O Brasil gasta aproximadamente 12% de seu PIB na Previdência, “quando os países comparáveis desembolsam por volta de 8%”, diz Vegh. O Governo de Bolsonaro enviou ao Congresso um projeto de lei para reformar a Previdência que, segundo estimativas de Guedes, gerará economia próxima a 1 trilhão de reais em 10 anos.
Analistas e investidores, entretanto, dizem que as economias finais geradas provavelmente ficarão abaixo disso, com uma estimativa de consenso próxima de 585 a 700 bilhões de reais, segundo a agência Reuters.
Deu em El País

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