Audiência pública debate impactos do fim da escala 6×1 no turismo - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Turismo 14/04/2026 06:49

Audiência pública debate impactos do fim da escala 6×1 no turismo

Audiência pública debate impactos do fim da escala 6×1 no turismo

Em meio ao avanço do debate sobre a redução da jornada de trabalho, a Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados promoveu, na quarta-feira (8), audiência pública para analisar os impactos do fim da escala 6×1 no turismo.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) participou da discussão e reiterou que mudanças dessa natureza devem ser construídas com base em estudos técnicos e negociação coletiva.

A audiência foi realizada a partir de requerimento do deputado Bibo Nunes (PL-RS), que também presidiu os trabalhos. A deputada Daniela Reinehr (PL-SC), presidente da Comissão de Turismo, participou do debate e destacou a importância de uma análise responsável sobre os efeitos da proposta em um dos setores mais relevantes da economia brasileira.

“Esta audiência pública tem o objetivo de debater os impactos de uma eventual aprovação do fim da escala 6×1 no setor de turismo, que emprega milhares de trabalhadores em atividades com escalas diferenciadas, definidas de acordo com cada região, cada realidade e acordos pré-estabelecidos entre empregador e empregado”, esclareceu a parlamentar.

“Quando falamos em reduzir jornada sem estudos específicos e sem ganho de produtividade, corremos o risco de inviabilizar negócios, fomentar demissões e ampliar a informalidade, prejudicando justamente os trabalhadores com carteira assinada”, completou.

Em defesa da negociação coletiva

Representando a CNC, o advogado especialista Roberto Lopes destacou que a entidade não é contrária à redução da jornada de trabalho, mas alertou para os riscos de uma imposição legal uniforme, especialmente em setores como o turismo, que apresentam forte sazonalidade e grande diversidade de atividades.

“A CNC não é contrária à redução da jornada de trabalho. O descanso é um direito fundamental do trabalhador, previsto na Constituição. Contudo, entendemos que essa redução deve ocorrer por meio da negociação coletiva, respeitando as diferenças regionais, econômicas e a sazonalidade das atividades, especialmente no setor de turismo”, afirmou.

Segundo Roberto Lopes, o modelo atual já permite avanços graduais e adequados à realidade de cada segmento.

“A Constituição estabelece um teto máximo de 44 horas semanais e autoriza a redução por meio de convenções coletivas. Foi exatamente por esse caminho que o Brasil reduziu sua média de jornada ao longo dos anos. No turismo, essa flexibilidade é essencial para atividades como hotéis, pousadas, bares, restaurantes e comércio turístico, que funcionam em fins de semana, feriados e períodos de alta temporada”, ressaltou.

O advogado especialista chamou atenção ainda para a multiplicidade de atividades envolvidas no turismo e para o impacto diferenciado que uma mudança legal rígida pode provocar.

“O setor de turismo é multifacetado. Envolve desde grandes redes hoteleiras até pequenos hotéis, pousadas, bares, restaurantes, lojas de souvenirs e serviços de apoio. São realidades muito distintas, que exigem tratamentos diferenciados. Uma imposição legal única ignora essas especificidades e pode gerar insegurança jurídica e instabilidade econômica”, explicou.

Roberto Lopes também alertou para os efeitos da proposta sobre a atuação sindical.

“Uma imposição legal retira dos sindicatos uma prerrogativa constitucional importante, que é participar da negociação coletiva e ajustar as regras à realidade de cada setor e de cada região. No turismo, essa negociação é fundamental para lidar com picos de demanda, sazonalidade e diferenças econômicas entre estados e municípios”, concluiu.

Sistema Comércio reforça preocupação com o setor de turismo

Também representando o Sistema Comércio, o diretor da CNC responsável pelo Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur) e presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), Alexandre Sampaio, ressaltou a preocupação do setor de turismo com uma eventual redução da jornada imposta por lei, sem a devida análise técnica.

“O turismo é um setor com especificidades muito próprias, que reúne atividades diversas e, em grande parte, pequenos negócios. Uma mudança dessa natureza, sem aprofundamento técnico, pode gerar impactos relevantes nos custos operacionais e na sustentabilidade das empresas”, salientou.

Alexandre Sampaio ressaltou ainda que a CNC irá disponibilizar à Comissão de Turismo estudos econômicos detalhados sobre os efeitos da proposta nos diferentes segmentos da atividade turística, como subsídio ao debate no Congresso Nacional.

Deu no Portal da CNC
Ricardo Rosado de Holanda
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