Bebidas 14/02/2026 17:19
Ambev, a maior produtora de cerveja do mundo, vê suas vendas despencarem; Heineken também enfrenta dificuldades, anunciou 6 mil demissões, lucro para baixo e fábricas de bebidas entram em alerta

O que parecia apenas uma oscilação de mercado acabou se tornando um alerta para toda a indústria. Em 2025, as mudanças climáticas impactaram diretamente o consumo de cerveja no Brasil.
Pela primeira vez, o setor sentiu um efeito dessa dimensão associado ao clima. A combinação de um inverno mais longo e intenso reduziu o volume de vendas de forma significativa.
Mesmo em um país tradicionalmente quente e com forte cultura de consumo da bebida, o cenário mudou. E os números mostram que o impacto foi real.
A queda acumulada de 4,5% no volume total de vendas da categoria cervejas foi atribuída ao fenômeno La Niña. O inverno se tornou mais prolongado e mais intenso do que o habitual.
O efeito foi direto no consumo. Temperaturas mais baixas reduzem encontros ao ar livre, diminuem eventos e alteram hábitos de socialização.
O detalhe que mais chamou atenção foi o reconhecimento público do impacto climático na performance da categoria. Foi a primeira vez que a empresa observou um efeito dessa magnitude provocado pelo clima.
Mesmo com a redução no volume de vendas, a receita líquida acumulada no ano chegou a R$ 88,2 bilhões. O recuo foi de 1,4% em relação ao ano anterior.
O resultado revela um contraste importante. Vendeu menos em quantidade, mas conseguiu preservar faturamento.
Esse equilíbrio aconteceu porque houve crescimento expressivo em dois segmentos estratégicos. A categoria premium avançou 17% e a categoria sem álcool registrou alta próxima de 30%.
O movimento ajudou a compensar a retração das cervejas tradicionais.
Em meio à crise no volume geral, os segmentos premium e sem álcool mostraram força. Esses produtos têm maior valor agregado e contribuem para margens mais elevadas.
A estratégia reforça a gestão de receita e amplia alternativas dentro do portfólio. O portfólio mais completo permite atuar em diferentes faixas de consumo.
Ao mesmo tempo, a empresa mantém confiança no chamado core, as cervejas tradicionais mais acessíveis. Em um país onde grande parte da população depende de um salário mínimo, o produto de entrada continua tendo papel central.
Há ainda uma rotatividade cíclica entre marcas tradicionais no Brasil. Regiões que antes consumiam mais uma marca hoje migram para outra, mostrando que o mercado é dinâmico
O recuo nas vendas não aconteceu apenas no Brasil. Na Alemanha, o consumo de cerveja caiu 6% em 2025, o pior resultado desde o início da série histórica em 1993.
A segunda maior cervejaria do mundo, a Heineken, também enfrentou dificuldades. A empresa anunciou 6 mil demissões e revisou suas expectativas de lucro para baixo.
Além disso, dados da pesquisa Voice of the Consumer Health and Nutrition Survey 2025, da Euromonitor, indicam que 53% dos entrevistados globalmente afirmam estar tentando reduzir ou parar de beber. No Brasil, o índice chega a 56%.
Os números revelam uma mudança comportamental relevante, que vai além do clima.
Apesar do cenário desafiador em 2025, a expectativa para 2026 é mais positiva. Eventos como o Carnaval e a Copa do Mundo da Fifa, que terá fusos horários favoráveis para os mercados da empresa, são vistos como impulsionadores.
A perspectiva é de mais oportunidades de socialização ao longo do ano. Também há a expectativa de vários feriados prolongados no Brasil.
A combinação de eventos de grande porte e calendário favorável pode ajudar na retomada do consumo.
O impacto das mudanças climáticas no setor de cervejas mostrou que até mercados consolidados podem sentir efeitos inesperados. A queda de 4,5% no volume, mesmo com receita de R$ 88,2 bilhões, escancara um novo cenário para a indústria, onde clima, comportamento e estratégia caminham lado a lado.
E você, diminui o consumo de cerveja nesses últimos meses por causa do clima? Conte para nós, nos comentários.
Deu em CPG

Descrição Jornalista
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