Inflação 30/01/2025 10:33
A Conta chegou: escalada do dólar obriga restaurantes e bares a aumentar preços
Para não afugentar a clientela, parte dos estabelecimentos opta por sacrificar suas margens de lucro; a alta da moeda americana, por outro lado, fortalece o turismo interno

Desde que o dólar superou o patamar de R$ 6 pela primeira vez, em novembro do ano passado, a empresária Jessik Santos sente um frio na espinha sempre que recebe um novo e-mail de um dos fornecedores de produtos importados.
Ela é uma das sócias de um bar dedicado aos espumantes, o Áriz, no Leblon, no Rio de Janeiro.
Dos 19 rótulos listados no cardápio, quase a metade é importada, a exemplo do espumante rosé 3B, da vinícola portuguesa Filipa Pato (R$ 250), e do champanhe Veuve Clicquot Brut (R$ 690).
“Os avisos de novos reajustes têm sido frequentes, o que nos deixa cada vez mais preocupados”, Santos informa. “Os preços dos vinhos e dos espumantes importados que servimos já estão de 8% a 15% mais caros”.
Ela conta que, até agora, os aumentos não foram repassados para os consumidores — até porque os distribuidores costumam reajustar os preços conforme novas remessas vão sendo adquiridas do exterior.
“Agora, em janeiro, não haverá outro jeito: o cardápio do Áriz sofrerá alterações”, adianta a empresária. Ela ressalta, no entanto, que os reajustes não serão repassados integralmente à clientela. “Se aplicarmos os mesmos percentuais dos distribuidores, corremos o risco de afugentar parte da freguesia”, justifica. Em outras palavras, o endereço optou por diminuir suas margens de lucro.
Os frequentadores do estabelecimento, acredita a empresária, tendem a relevar os aumentos de preços — o endereço mira consumidores com bom poder aquisitivo. “Ao se depararem com preços mais altos, eles não deixam de frequentar a casa”, acredita ela. “Mas acabam consumindo menos”.
Outro reflexo é o aumento da procura por produtos nacionais, caso do moscatel da vinícola gaúcha Casa Perini (R$ 120). “Isso nos leva a aumentar as compras de espumantes nacionais”, Santos informa. “O problema é que a alta do dólar acaba impactando até os preços dos produtos brasileiros”.
Diante da escalada do dólar, a Casa Ueda, em Botafogo, se viu obrigada a reajustar o cardápio já em dezembro. O restaurante tem comprado bebidas importadas, a exemplo dos saquês de produtores artesanais, por cifras até 22% maiores. No caso de iguarias trazidas do exterior como ovas de bacalhau, enguia e wasabi em pó ou natural, os preços subiram de 30% a 40%. Para a clientela, porém, os valores aumentaram de 15% a 20%.
“Para não repassar tudo para os clientes, o único jeito é sacrificar as margens de lucro e torcer para recuperarmos a diferença atendendo mais gente com a ajuda de promoções”, informa Eric Ueda, chef e proprietário.
Depois da última leva de reajustes, revela o sushiman, o tíquete-médio despencou cerca de 35%.
“O aumento dos preços acarreta, inevitavelmente, no represamento do consumo”, diz Fernando Blower, que preside o SindRio, o Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro.
“E a alta do dólar não interfere só nos preços das bebidas e dos ingredientes importados: impacta a economia brasileira como um todo”. Blower orienta os estabelecimentos do ramo a repassar integralmente para os consumidores os reajustes impostos pela alta da moeda americana.
“Alguns empreendimentos podem estar em condições financeiras de absorver parte dos reajustes”, observa ele. “Mas, de maneira geral, as margens de lucro do setor já estão bem comprometidas e desde a pandemia”.
Gustavo Mariath é um dos sócios do grupo Alife Nino, que controla 17 marcas como Boteco Boa Praça, Eu Tu Eles e Nino Cucina. Entrou para a holding depois que esta adquiriu, no ano passado, o grupo do qual ele era um dos donos, o Irajá (do Boteco Rainha, Galeto Rainha e por aí vai).
“A alta do dólar nos impacta de diversas formas, seja em razão do aumento dos preços dos produtos importados, seja indiretamente — com o acréscimo, por exemplo, do valor do transporte de mercadorias”, diz Mariath, que exerce o cargo de diretor de operações do Irajá.
O grupo Alife Nino como um todo ainda não fez nenhum reajuste pois esse tipo de coisa é decidido em reuniões trimestrais. Na próxima, provavelmente, serão definidos novos valores, mais salgados, para diversos itens dos cardápios — o grupo administra cerca de 70 casas no total.
“Para os clientes, pouco importa se o bolinho de bacalhau subiu porque o dólar aumentou ou por qualquer outro motivo que foge da nossa vontade”, observa Mariath, acrescentando que acaba sobrando, inevitavelmente, para a imagem dos estabelecimentos.
Ele também preside, desde 2020, a Associação dos Comerciantes da Rua Dias Ferreira. A entidade engloba os mais de 70 estabelecimentos — são quase 30 restaurantes e bares — enfileirados nessa via. Tudo somado, o comércio da Dias Ferreira fatura R$ 200 milhões por ano.
Na condição de mandachuva dessa associação, e também como sócio do Alife Nino, Mariath tem notado outro lado da moeda da alta do dólar: um aumento expressivo de turistas na região de dezembro para cá.
“É nítido o crescimento não só do número de estrangeiros como de viajantes de outros estados”, observa. Esses últimos, como é de imaginar, estão dando preferência ao turismo nacional em vez de embarcar para fora.
Deu em Forbes

Descrição Jornalista
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