Amazônia 20/04/2023 18:10
Desmatamento na Amazônia em março quase triplica; trimestre é 2º pior desde 2008, aponta Imazon
Oito dos nove estados da Amazônia Legal tiveram aumento no desmatamento no mês passado: Amazonas (30%), Pará (27%), Mato Grosso (25%), Roraima (8%), Rondônia (6%), Maranhão (3%) e Acre (1%)

A área de desmatamento na Amazônia Legal no mês de março deste ano aumentou quase três vezes em relação a 2022, apontou um relatório do Imazon divulgado nesta quinta-feira (20).
As imagens de satélite monitoradas pelo instituto detectaram uma área de desmatamento de 344 km² dividida entre os estados de Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Amapá, Pará, Rondônia, Acre, Amazonas e Roraima.
Em março do ano passado, o índice era de 123 km² – ou seja, houve um aumento de aproximadamente 180%.
A maioria do desmatamento foi em áreas privadas ou em estágios de posse (76%). O restante em assentamentos (19%), unidades de conservação (4%) e terras indígenas (1%).

“O desmatamento detectado em março de 2023 ocorreu no Amazonas (30%), Pará (27%), Mato Grosso (25%), Roraima (8%), Rondônia (6%), Maranhão (3%) e Acre (1%)”, afirmou o Imazon. Ou seja, oito dos nove estados da Amazônia Legal tiveram aumento no desmatamento.
Os dados de março impulsionaram o total de área desmatada contabilizada ao longo dos três primeiros meses de 2023, garantindo o marco de segundo pior trimestre da série histórica do Imazon, iniciada em 2008.
“Foram derrubados 867 km² nos três primeiros meses deste ano. Área que equivale à perda de quase mil campos de futebol por dia de mata nativa. Essa destruição só não foi maior do que a registrada em 2021, quando foram postos abaixo 1.185 km² de floresta de janeiro a março”, destacou o instituto.

O pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr. cobrou ações do governo federal e estados para conter o avanço do desmatamento.
“Há casos graves como o da unidade de conservação APA Triunfo do Xingu, no Pará, que perdeu uma área de floresta equivalente a 500 campos de futebol apenas em março. Será preciso também não deixar impune os casos de desmatamentos ilegais e apropriação de terras públicas”, afirmou em comunicado divulgado à imprensa.
O Imazon também alertou que a situação mais alarmante ocorre no estado do Amazonas. Se em março do ano passado a área desmatada no estado era de 12 km², em 2023, a área é de 104 km² – uma alta de 767%, ou seja, quase nove vezes mais.
A situação mais crítica acontece em municípios próximos à divisa com o Acre e Rondônia, a região conhecida como “Amacro”.
“Em março, seis dos 10 assentamentos e quatro das 10 terras indígenas mais desmatados na região ficam no estado”, disse Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon.

Descrição Jornalista
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