FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Consumidor 19/01/2023 18:45

Peic: Mulher, jovem e com Ensino Médio incompleto é o perfil da maioria dos endividados brasileiros de 2022

Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor foi divulgada hoje pela CNC em coletiva de imprensa

Peic: Mulher, jovem e com Ensino Médio incompleto é o perfil da maioria dos endividados brasileiros de 2022

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou, em entrevista coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (19 de janeiro), a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) anual.

Na série histórica, iniciada em 2011, o ano bateu recorde: 77,9% das famílias estavam endividadas em 2022, uma alta de 7 pontos percentuais em relação a 2021 e de 14,3 no comparado com 2019, antes da pandemia de covid-19.

O índice mais baixo foi registrado em 2018, quando 60,3% das famílias estavam com dívidas.

O perfil da pessoa endividada que desponta a partir da Peic é de uma mulher, com menos de 35 anos e Ensino Médio incompleto, moradora das regiões Sul ou Sudeste, cuja família recebe até 10 salários mínimos.

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, explica que a pandemia reverteu a tendência de queda no endividamento que era registrada até 2019, especialmente entre os mais pobres.

“Os efeitos perversos da pandemia, com o fechamento de negócios e o aumento do número de desempregados, e no pós-pandemia com o avanço da inflação, fez com que as famílias com rendas mais baixas precisassem recorrer ao crédito para manutenção do consumo de primeira necessidade. Enquanto entre as famílias de maior renda a retomada do consumo reprimido levou a maior contratação de dívidas. Esses fatores, geraram o aumento no número de endividados em 2022 no País”, afirma Tadros.

Recorde de superendividamento

A Peic anual indicou que, do total de endividados, 17,6% se consideraram muito endividados, a maior proporção da série histórica.

A cada 10 famílias com renda mais baixa, duas comprometeram mais da metade da renda mensal para o pagamento das dívidas.

Já entre aqueles com maiores salários, o índice cai pela metade, o que sugere que o superendividamento está concentrado entre os mais pobres.

Em média, durante 2022, o brasileiro gastou, a cada R$ 1 mil, R$ 302 em dívidas. No total, 70% das famílias comprometeram pelo menos 10% da renda com essa finalidade. Mais de 1/5 dos endividados tiveram de gastar, no mínimo, metade do salário para pagar dívidas.

Durante a coletiva de imprensa, o diretor de Economia e Inovação da CNC, Guilherme Mercês, afirmou que é importante que sejam adotadas medidas que possibilitem uma redução nos juros e na inflação, com uma nova âncora fiscal para a gestão das contas públicas.

“Em mais de dez anos, nunca as pessoas se sentiram tão endividadas e o que a Peic demonstra é que o superendividamento é principalmente um problema para as famílias de baixa renda. Se esse endividamento diz respeito ao custo dos créditos e da inflação, um dos fatores essenciais para resolver isso é ter uma economia brasileira com juros mais civilizados, porque taxa de juros alta é sinônimo de dívidas caras, sempre. Portanto programas de renegociação de endividamento como os que estão sendo anunciados são fundamentais e estancam as angústias das pessoas e famílias. Mas em termos estruturais, o que vai resolver esse problema é uma taxa de juros mais baixa,” afirmou Mercês.

Fonte: Portal da CNC

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista