Economia 24/04/2022 10:00
Saque do FGTS e 13º salário do INSS devem lançar R$ 79 bi na economia. Veja para onde vai a grana
Benefícios serão pagos entre abril e junho; para economistas, deverá ter um maior aquecimento no comércio e serviços

O governo federal estima que a liberação do saque extraordinário do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e a antecipação do 13º salário para os segurados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) deverão injetar R$ 79 bilhões na economia a partir desta semana, quando começa o pagamento do abono aos aposentados e pensionistas.
De acordo com o Ministério do Trabalho e Previdência, os dois benefícios deverão atingir um total de 73 milhões de brasileiros.
O calendário do resgate de até R$ 1.000 do fundo segue a data de aniversário do beneficiário e começou na última quarta-feira (20), para trabalhadores nascidos em janeiro. A próxima liberação será no próximo sábado (30), para nascidos em fevereiro.
A liberação termina em 15 de junho, mas o valor poderá ser sacado até 15 de dezembro.
Para consultar o saldo do FGTS, é preciso entrar nos canais oficiais da Caixa Econômica Federal. O processo pode ser feito tanto no site fgts.caixa.gov.br quanto no aplicativo FGTS.
Já a antecipação do 13º do INSS começa nesta segunda-feira (25), com a primeira parcela, e vai até junho, com a segunda parcela. Até 6 de maio, mais de 31 milhões de segurados serão beneficiados, entre aposentados e pensionistas.
Segundo estimativa da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), a liberação do saque extraordinário do FGTS e a antecipação do 13º salário do INSS deverão produzir no segundo trimestre um aumento em torno de 3% a 4% nas vendas do comércio.
“O FGTS é um impulso adicional na economia ao longo do ano, concentrado no segundo trimestre. No caso da antecipação do 13º do INSS, embora a soma de recurso seja maior, você está antecipando um recurso que seria disponibilizado no final do ano.
Mas deve produzir um efeito positivo no volume de vendas do comércio varejista este ano”, afirma Fábio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio e Serviços.
No caso do FGTS, a CNC estima que o total de recurso deva injetar aproximadamente R$ 29 bilhões na economia, e no comércio, especificamente, devam chegar R$ 10,5 bilhões. No caso do INSS, a soma de recursos será até maior, de R$ 50 bilhões.
Segundo estimativa da CNC
• 36% – vão para o comércio
• 34% – serão gastos no setor de serviços
• 24% – serão utilizados para o pagamento de dívidas
• 6% – serão usados para o consumo futuro (poupança ou consumo não imediato)
Bentes observa que o pagamento de dívidas é importante porque o país registra atualmente nível recorde de endividamento. Um terço da renda das famílias, em média, está comprometido com dívida.
“É importante lembrar que, no caso do FGTS, como a gente está passando por um período de inflação elevada, mesmo quem não está precisando do recurso no curto prazo, certamente, vai adotar como estratégia sacar esse recurso, porque a inflação deve corroer de 4% a 5% se esses recursos ficarem parados”, analisa o economista.
“São medidas bem-vindas, no momento em que o comércio e, principalmente, o consumidor tem enfrentado dificuldades no que se refere à perda do poder de compra por conta da inflação. A gente entende isso como uma recomposição da renda familiar, que caiu cerca de 6,5% nos últimos meses”, conclui Bentes.
Para Marcel Solimeo, economista da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), as duas medidas vão ajudar por causa do achatamento da renda dos brasileiros, primeiro pelo desemprego e agora pela inflação.
“O consumo está sendo afetado pelos preços, principalmente de alimentos. Qualquer recurso adicional vai ajudar o consumidor a comprar um pouco mais. Não será nenhum estouro de consumo nem um crescimento explosivo do comércio, mas vai ser uma ajuda importante”, afirma Solimeo.
O economista acredita que a recuperação continuará lenta, mas pelo menos com uma expectativa de crescimento modesta.
“Não se espera para este ano uma retomada muito forte nem da economia nem do consumo. O governo federal vem procurando injetar recursos para tentar melhorar o consumo, o que melhorara a economia, mas a inflação e os juros altos trabalham no sentido contrário. Uma coisa muitas vezes quase anula a outra. Mas ficaria pior, o consumo cairia mais se não houvesse essa injeção adicional de recursos”, avalia o economista.
Deu em R7

Descrição Jornalista
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