26/04/2019 09:58
Governo aumenta previsão de economia com a reforma da Previdência
Após críticas de parlamentares de que estava omitindo os detalhes da reforma da Previdência, o Governo Jair Bolsonaro apresentou nesta quinta-feira o detalhamento do impacto previsto pelas mudanças previdenciárias no Orçamento.

Após críticas de parlamentares de que estava omitindo os detalhes da reforma da Previdência, o Governo Jair Bolsonaro apresentou nesta quinta-feira o detalhamento do impacto previsto pelas mudanças previdenciárias no Orçamento.
A expectativa de economia divulgada publicamente mostrou-se ainda mais otimista que a inicial, quando o projeto foi enviado para o Congresso: passou de 1,072 trilhão de reais para 1,236 trilhão em um período de dez anos.
Mas na mesma manhã em que os dados foram apresentados, o próprio presidente já deu sinais de que nos bastidores trabalha-se com um número mais baixo: algo na casa dos 800 bilhões de reais.
O dado já levaria em conta a desidratação que o projeto deve sofrer ao longo dos trabalhos da comissão especial da Reforma da Previdência, que começou a discutir a proposta nesta quinta-feira.
Pela manhã, em um encontro com jornalistas, Bolsonaro afirmou que o piso de economia de sua reforma seria de 800 bilhões de reais, de acordo com informações divulgadas pela imprensa. Segundo a Folha de S.Paulo, ao ser questionado sobre quais alterações o Governo aceitaria fazer na proposta enviada, ele afirmou não saber.
À tarde, entretanto, mudou seu posicionamento e afirmou que não existia um dado mínimo. Oficialmente, os técnicos do Governo dizem que defenderão a reforma da maneira que foi enviada ao Congresso. “Vamos defender a integralidade de nossa proposta”, disse o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho.
A fala de Bolsonaro deixa escapar as dificuldades já antecipadas pelo Governo na tramitação do projeto.
A previsão de parlamentares é que ao longo da discussão a redução da economia prevista com a reforma seja de pelo menos 127,2 bilhões de reais, ou quase 10% do previsto pelo Governo nos dados apresentados nesta quinta. Os principais pontos na mira serão a aposentadoria rural e o benefício de prestação continuada (BPC).
Há um consenso entre a oposição e deputados do centrão (governistas) de que as mudanças não devem ser mantidas porque atingiriam a população mais pobre do país, o que poderia trazer consequências políticas nas próximas eleições.
Para o economista Nelson Marconi, da FGV, o próprio detalhamento dos cálculos pode auxiliar os deputados mais reticentes.
“Ao revelar que as alterações no BPC, por exemplo, gerariam apenas uma economia tão pequena, de 2,8% do total estimado para a reforma, o Governo simplesmente enterra esse bode que está na sala.”

Descrição Jornalista
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