Eleições 15/09/2026 09:40
Deputado diz que retirou R$ 1,51 milhão da previdência e guardou em casa por 68 dias

O deputado estadual e candidato à reeleição Luiz Eduardo Bento da Silva (PL) afirmou que os R$ 1,51 milhão apreendidos pela Polícia Federal em sua residência foram retirados de sua previdência em um único saque, realizado em 8 de julho
. Segundo o parlamentar, o dinheiro permaneceu intacto dentro de casa durante 68 dias, até a Operação Sem Lastro, deflagrada na segunda-feira 14.
“Hoje houve uma operação na minha casa e foi apreendido R$ 1.510.000, dinheiro sacado da minha Previdência, e o saque foi feito no dia 8 de julho”, declarou Luiz Eduardo em vídeo divulgado após a ação policial. É a primeira vez que ele informa publicamente o valor exato encontrado no imóvel, a alegada origem dos recursos e a data da retirada.
O deputado também afirmou que o montante foi sacado de uma só vez. “Um saque único, não foi saque fatiado tentando ludibriar, enganar o Banco Central e o Coaf, não. Foi um saque único e estava aqui na minha casa intacto o dinheiro, guardado na minha casa”, disse.
A declaração acrescenta informações que não constavam da primeira nota divulgada pela defesa. O pronunciamento, porém, não explica por que Luiz Eduardo retirou R$ 1,51 milhão do sistema financeiro, por qual motivo preferiu manter toda a quantia em espécie dentro de casa nem qual seria a destinação futura do dinheiro.
“Eu não conheço nenhuma lei que proíba você guardar dinheiro em casa”, afirmou. A investigação da PF não tem como objeto apenas a manutenção de dinheiro na residência. A corporação apura a origem e a possível destinação eleitoral de recursos movimentados em espécie, além da compatibilidade dos valores com o patrimônio declarado à Justiça Eleitoral.
Luiz Eduardo também não identificou a instituição responsável pela previdência nem apresentou no vídeo extratos, comprovantes do saque ou documentos que demonstrem a origem alegada. “Quero dizer para vocês que eu sou mão limpa, mão limpas, o meu dinheiro é limpo”, declarou.
A relação do saque com a declaração de bens apresentada pelo candidato ainda não foi esclarecida.
A candidatura de Luiz Eduardo foi registrada na Justiça Eleitoral em 31 de julho, 23 dias depois da data em que ele afirma ter retirado os R$ 1,51 milhão e enquanto, segundo sua versão, o dinheiro permanecia em casa.
Na declaração de 2026, o deputado informou patrimônio total de R$ 1.343.782,02, sem registrar dinheiro em espécie. A lista inclui R$ 719.951,51 em um plano Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL), modalidade de previdência privada, dois apartamentos avaliados em R$ 250 mil cada, um consórcio de automóvel de R$ 102.023,01 e saldos bancários de R$ 21.762,70 e R$ 44,80.
O parlamentar não informou se a “Previdência” mencionada no vídeo corresponde ao VGBL declarado nem explicou por que a aplicação aparece com saldo de R$ 719.951,51 depois do saque alegado. Também não esclareceu como o valor mantido em casa foi retratado na documentação entregue à Justiça Eleitoral.
Luiz Eduardo havia declarado dinheiro vivo nas três eleições anteriores que disputou. Foram informados R$ 150 mil em espécie em 2016, R$ 30 mil em 2020 e R$ 50 mil em 2022. Na candidatura atual, não aparece nenhum bem nessa categoria.
A Operação Sem Lastro cumpriu dois mandados de busca e apreensão em Natal, autorizados pela Justiça Eleitoral. A PF informou ter recolhido mais de R$ 1,5 milhão em dinheiro, além de celulares, documentos e equipamentos eletrônicos. Não houve prisão.
Segundo a corporação, a investigação apura indícios de falsidade ideológica eleitoral e a possível utilização de recursos financeiros não declarados em atividades de campanha. A PF afirmou ter identificado saques realizados por um servidor do Rio Grande do Norte em circunstâncias que indicariam incompatibilidade entre a movimentação e o patrimônio declarado.
O comunicado oficial não citou Luiz Eduardo, não informou os endereços das buscas nem detalhou quanto havia sido apreendido em cada local. O próprio deputado passou a estabelecer diretamente essa ligação ao afirmar que a operação ocorreu em sua casa e que os R$ 1,51 milhão foram encontrados no imóvel.
Na primeira manifestação, a defesa classificou a movimentação como “lícita, declarada e de origem plenamente comprovada” e informou que a documentação seria entregue às autoridades. “Os valores sacados permaneciam guardados em sua residência e não foram gastos”, declarou a nota. Os documentos ainda não foram apresentados publicamente.
A defesa sustenta que não houve arrecadação à margem da prestação de contas nem aplicação do dinheiro em despesas eleitorais. Luiz Eduardo voltou a negar qualquer irregularidade e encerrou o vídeo pedindo votos. “Sou candidato a deputado estadual à reeleição e peço o seu voto e continue confiando na gente”, afirmou.
A investigação permanece em andamento. Até o momento, não foram divulgados indiciamento, denúncia do Ministério Público ou decisão judicial que reconheça a prática de caixa dois ou de outro crime pelo deputado. A PF deverá confrontar a explicação apresentada por Luiz Eduardo com os registros bancários, a declaração patrimonial, as contas eleitorais e o material recolhido durante as buscas.
Deu em Agora RN

Descrição Jornalista
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